'Operação Abafa': Leia trecho exclusivo do livro de Ronan Farrow sobre caso Harvey Weinstein

Andréa Martinelli
Harvey Weinstein (à esq), é acusado por Ronan Farrow (à dir), em livro, de criar uma rede de fontes falsas e de levantar informações falsas sobre jornalistas para barrar investigações sobre assédio sexual em Hollywood.

“Quando eu me preparava para sair, aquele encontro de repente virou algo que não era mais uma reunião. Essas coisas acontecem muito rápido e muito devagar. Acho que qualquer outra sobrevivente diria a mesma coisa... de repente, sua vida dá uma volta de noventa graus na outra direção. É um abalo muito forte.”

O depoimento acima foi dado pela atriz Rose McGowan, 46, uma das primeiras celebridades a denunciar abusos sexuais cometidos pelo produtor veterano de Hollywood Harvey Weinstein, 67, ao jornalista Ronan Farrow.

Farrow publicou, em 2017, na revista The New Yorker, (assim como Jodi Kantor e Megan Twohey no jornal The New York Times) depoimentos que jogaram luz sobre o maior escândalo sexual da indústria cinematográfica norte-americana ― envolvendo mais de 80 vítimas ―e impulsionaram o movimento Me Too (“Eu também”, em tradução para o português). 

Quase três anos depois, no mesmo momento em que o julgamento tão esperado de Weinstein tem início em Nova York, o livro em que Farrow narra os bastidores da reportagem que revelou casos de estupro e assédio do produtor chega às livrarias brasileiras nesta sexta-feira (17).

O jornalista Ronan Farrow, que conhece o universo de Hollywood de perto por ser filho do diretor Woody Allen e da atriz Mia Farrow.

Em Operação Abafa - Predadores Sexuais e a indústria do silêncio (Todavia, 2020), Farrow narra ao leitor como o “boato” que tinha em mãos se transformou em uma reportagem ― que, se não fosse real, poderia ser o roteiro de um filme dramático de Hollywood ― e que ela são é só sobre violência sexual, mas também sobre uma rede de silenciamento que se estendeu até quem tentava investigar profundamente o magnata de Hollywood. 

Ele conta que, Weinstein, a par da apuração de Farrow e temendo a repercussão que teria caso a reportagem fosse publicada, contratou detetives para seguir o jornalista, implantou fontes falsas e fez uma série de ameaças. Farrow chegou a alugar um cofre no porão de um banco onde depositava as gravações, contatos de fontes e anotações da apuração com um bilhete: “caso...

Continue a ler no HuffPost