Rosamaria, protagonista em Tóquio, conta sobre episódio de depressão e como tem lidado com a reserva no Novara

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Símbolo da equipe unida e vibrante que conquistou a medalha de prata na Liga das Nações e na Olimpíada de Tóquio e, em seguida, o ouro no Sul-americano, Rosamaria, 27 anos, aposta no mesmo enredo que viveu com a seleção para a temporada de clubes na Itália. No Japão, no evento mais importante do ano, ela saiu do banco para ser uma das protagonistas do Brasil. Agora, no tradicional Igor Gorgonzola Novara é reserva de Ebrar Karakurt, a turca sensação do momento. E Rosamaria diz que sua hora vai chegar:

— Ficar no banco nunca é agradável, nunca será minha escolha. Sou fominha, quero jogar. Mas, quando acertei com o clube, antes da prata em Tóquio, sabia que seria assim. Acredito que, 'se for meu, chegará’. Exatamente como na Olimpíada.

Ela diz que é difícil explicar como lida com a situação. Isso porque torce e gosta de Ebrar. Ao mesmo tempo, quer seu espaço. Costuma dizer que “acender a luz do outro, não apaga a minha”:

— Muitas vezes disputamos posição com quem gostamos. Se esse é o momento dela, estou torcendo. Porque é dela. Joga muito, arrasa e merece! O meu momento chegará. O ideal, o que queria mesmo, era jogar ao lado da Ebrar — explica a brasileira. — Acredito em merecimento e no momento certo... 2021 foi o ano que mais me provou isso. Foi um divisor de águas que marcou minha vida e carreira. O ano da realização de um grande sonho e que me mostrou que o trabalho semeado anos atrás, surtiu efeito. Isso me tranquiliza. Por muitas vezes duvidei da minha capacidade, mas nunca parei de trabalhar.

Champions League

Rosamaria lembra que a temporada será longa e que o Novara, vice-líder do Campeonato Italiano (atrás do Conegliano) disputa a Champions League. E para dar conta da agenda, no entender da atleta, o treinador Stefano Lavarini terá de usar com frequência as atletas reservas.

O Novara fez duas partidas pelo torneio e Rosamaria foi titular na última, contra o VK Liberec, na República Tcheca. Marcou 15 pontos — no Italiano, tem sido pouco utilizada e marcou 23 no total. Na quinta-feira, jogará contra o Dínamo, em Moscou.

Rosamaria está na terceira temporada na Itália. Em 2019/2020, jogou pelo Perugia. A competição foi interrompida pela pandemia do novo coronavírus. Em 2020/2021, defendeu o Casalmaggiore. E por causa de vários casos positivos de Covid-19, a equipe foi eliminada.

— Me nego a sair da Itália sem uma temporada completa (risos).

Além de estar nos principais torneios de clubes do mundo, Rosamaria tem cidadania italiana e ligação afetiva com o país. Conta que tinha certeza que um dia defenderia o time de Novara e que o fato de falar a língua local ajudou “80% na adaptação”. Suas avós, uma já falecida, nasceram na Itália e um tio é professor de italiano. Quando pequena, em Nova Trento (SC), optou por estudar italiano no lugar do espanhol. E já adulta fez cursos.

— Tenho a sensação de estar no lugar que deveria estar.

Admitiu, porém, que a mudança não foi “molezinha” e a “cabeça fez diferença”. E de forma genérica comentou sobre o caso de Douglas Souza, que abandonou clube na Itália e voltou ao Brasil:

— Talvez o problema seja a expectativa. As pessoas não tem obrigação de atender às nossas expectativas. Temos de entender e aceitar que somos estrangeiros na casa deles. Vim com esta cabeça. Poderia não estar de acordo com muitas coisas mas tentava entender o porquê e me adaptar. Estava disposta a mudar coisas dentro de mim. A verdade é que sempre achei isso muito legal e divertido porque me faz olhar a vida por outro ângulo.

Para chegar até aqui, com desenvoltura e segurança, Rosamaria superou uma fase de depressão, iniciada em 2017. O processo durou até 2019, quando pediu dispensa da seleção, na véspera da Olimpíada. Ela teve medo de perder espaço no grupo mas precisou se cuidar.

Por isso, afirma que 2021 foi tão especial. A jogadora conquistou a prata ao lado da melhor amiga: Carol Gattaz, de 40 anos. Ambas estrearam em Olimpíadas.

— Minha maior saudade é da convivência com as meninas. Porque era de manhã à noite de bom humor. E não é fácil. Não tenho dúvida que isso ajudou muito no desempenho. E da Carol, claro, minha parceira de tudo, de quarto, amiga há anos — diz Rosamaria. — Ela é exemplo do que falo. Foi cortada da Olimpíada duas vezes e ganhou a prata agora, como foi, com destaque aos 40 anos. Histórico! Ela acreditou que o momento dela chegaria. E continuou a trabalhar.

Ela não sabe se repetirá a dobradinha com Carol em Paris, em 2024. Nem como será a renovação:

— Para mim, Paris se resumirá a planejamento e meta. Quero poder buscar mais uma medalha e com público. Tóquio foi lindo mas entrávamos no ginásio e pensávamos na torcida. E a renovação faz parte. Sendo uma das mais experientes, tentarei auxiliar as novatas como fizeram comigo. Infelizmente não conseguimos jogar até os 60 anos. Se bem que a Gattaz está quase aí!

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