‘Rotina da cidade não mudou em nada’, diz comandante do batalhão de São Gonçalo após morte de 3N

Carolina Heringer

O patrulhamento em São Gonçalo, reduto do traficante Thomas Jayson Vieira Gomes, o 3N, foi reforçado nessa terça-feira, horas após a morte do criminoso em uma operação policial. Apesar da precaução, de acordo com o comandante do 7º BPM (São Gonçalo), tenente-coronel Gilmar Tramontini da Silva, a polícia não identificou nenhuma movimentação anormal de criminosos na região. O oficial nega que o comércio tenha fechado em protesto pela morte de 3N.

- A rotina da cidade não mudou em nada e a gente não detectou nenhum movimentação de conflito ou nada parecido com a morte dele. A notícia que temos é de que os comparsas dele não teriam se importado com a morte - afirmou Tramontini.

O enterro de 3N está marcado para acontecer às 16h30 desta quarta-feira no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo. Dois de seus comparsas que também foram mortos na ação - Alexandre Souza de Lima, o Xandinho e Luiz Ricardo Monteiro Cunha, o Ricardinho - também foram enterrados no mesmo local.

Os corpos de 3N, Ricardinho, Xandinho e outros três comparsas foram liberados do Instituto Médico Legal de São Gonçalo na manhã desta quarta-feira. Os traficantes foram mortos nessa terça, durante uma operação das polícias Civil e Militar em um sítio na localidade de Cabuçu, em Itaboraí, também na Região Metropolitana do Rio.

Desde que mudou de facção, em abril deste ano, 3N se escondeu em pelo menos seis favelas do estado do Rio. O criminoso buscou abrigo na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré; em Parada de Lucas; na Cidade Alta, em Cordovil; e no Parque Belém, em Angra dos Reis. Ex-chefe do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, ele também passou a se esconder em duas favelas do município: Jardim Miriambi e comunidades das Almas. O criminoso foi morto nessa terça-feira em um sítio em Itaboraí.

Em maio, policiais civis fizeram uma operação na Maré para tentar prender 3N. O criminoso conseguiu escapar, mas oito suspeitos morreram na ação. A mulher de 3N, Brenda Santos, de 22 anos, acabou capturada em flagrante, acusada de associação para o tráfico.Brenda havia acabado de dar à luz e conseguiu prisão domiciliar duas semanas após ter sido presa. Ela continua em casa, monitorada por tornozeleira eletrônica.

O traficante 3N também escapou de um cerco policial no Parque Belém, em Angra dos Reis, em agosto deste ano. Policiais do Bope e do 33º BPM (Angra dos Reis) estiveram na comunidade após uma informação de que o criminoso estava na região. Seis suspeitos foram mortos na operação, mas o criminoso conseguiu fugir.

Há cerca de dois meses, 3N passou a se esconder no sítio onde foi morto. O imóvel estava sendo monitorado por policiais da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) da Polícia Civil. Os agentes já tinham ido até o local ao menos outras duas vezes para coletar informações que ajudassem a planejar a operação.

Na mira da polícia

Ex-chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, 3N passou a ser um dos traficantes mais procurados do Rio após ter desafiado a facção da qual fazia parte. De acordo com informações da Polícia Civil, o criminoso, antes chamado de 2N, assassinou um antigo comparsa, Schumaker Antonácio do Rosário, após descobrir que ele iria matá-lo.

Thomas Jayson descobriu que o chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, Antonio Ilário Ferreira, o Rabicó, havia ordenado que Schumaker o matasse. O obetivo era retomar o controle do tráfico de drogas no Salgueiro. O comando da venda de drogas estava nas mãos de 2N e Rabicó estava preso.

Após a morte de Schumaker, 2N foi considerado traidor pela facção e teve que fugir do Salgueiro. Ele passou a fazer parte de uma facção criminosa rival e contou com o apoio de alguns aliados que, junto com ele, mudaram de quadrilha. Desde então, ele adotou o apelido de 3N.

Há 13 dias, Rabicó foi solto, após mais de 11 anos atrás das grades. Ele foi beneficiado por uma decisão do STF. A soltura do traficante colocou em alerta auoridades de Segurança Pública do Rio, que temiam uma nova guerra em São Gonçalo. O receio era de que, em liberdade, Rabicó quisesse se vingar de 3N, que vinha tentando dominar o Salgueiro.