A rotina no Grajaú depois da volta de Witzel e sua família para o bairro

André Coelho e Pedro Medeiros
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Foto: ANTONIO SCORZA / Extra
Foto: ANTONIO SCORZA / Extra

Com a mudança do governador afastado Wilson Witzel do Palácio Laranjeiras para sua casa, no Grajaú, parte dos moradores acha que pouco ou nada mudará na rotina do bairro, mas outra parte não esconde o desconforto de voltar a conviver com o ex-juiz e reencontrá-lo pelas ruas, após as denúncias que pesam contra o vizinho. A Rua Professor Valadares é talvez uma das mais quietas de um local conhecido pela tranquilidade.

Mesmo quem não sabe quem é o morador ilustre da casa, que tem uma fachada mais moderna do que os imóveis mais antigos do entorno, percebe por ali agentes em blindados circulando ou mesmo policiais à paisana que trabalham na proteção do chefe afastado do Executivo, agora investigado por irregularidades em compras emergenciais durante a pandemia.

Rosquinhas da primeira-dama

Funcionários de uma padaria próxima garantem ter visto a mulher de Witzel, Helena, que teria ido comprar a tão falada iguaria predileta do clã: as “rosquinhas da primeira-dama”. Mas o doce, feito no fim de semana, já tinha esgotado. Helena acabou apelando para pães e frios no café da manhã.

Morador do Grajaú, Fernando Antônio contou já ter visto o casal, que não era muito de conversa. Ele votou em Witzel, mas diz ter se arrependido muito rápido.

— Frases como “vamos mirar na cabecinha” eram ridículas! — diz Antônio. —Já dei votos errados na vida, mas esse é incomparável.

Outra moradora, Cláudia Ferreira não votou em Witzel, mas mesmo assim se decepcionou porque esperava, ao menos, que algumas melhorias chegassem ao bairro:

— Mesmo com ele no poder, você andava nas ruas com medo de assalto.

Autor do projeto para transformar o Palácio Laranjeiras num centro cultural, o deputado Anderson Moraes (PSL), já se anima com a desocupação do imóvel que, na opinião dele, deve “ficar à disposição do povo”.

Palácio será aberto à visitação

Construção histórica do início do século passado, o Palácio Laranjeiras, que passou de propriedade do industrial Eduardo Guinle à residência oficial dos governadores do Estado, será aberto à visitação. A função do imóvel muda depois de mais um escândalo de corrupção no Rio. Witzel, por decisão da comissão mista que julga o seu impeachment, voltou para seu antigo endereço, no Grajaú. Evitando que a cena de sua saída do palácio virasse um acontecimento a mais da crise de seu governo, o ex-juiz federal antecipou a mudança que poderia acontecer até dez dias depois da publicação do acórdão do Tribunal de Justiça.

Antiga propriedade do conde Sebastião de Pinho, o terreno que deu lugar ao atual palacete não deverá ser ocupado pelo governador interino. Cláudio Castro já disse que pretende permanecer em sua casa, na Barra da Tijuca. Por nota, a assessoria do PSC afirma que Witzel e sua família resolveram sair apesar de terem considerado a “ordem ilegal”. O ex-governador agora tem 20 dias para apresentar sua defesa no processo que decidirá sobre o seu destino político.