Dólar passa a cair contra real com agenda do Congresso e falas de Bolsonaro no radar

Luana Maria Benedito
·3 minuto de leitura
Ruídos domésticos impulsionam dólar contra real apesar de fraqueza global da moeda

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar passava a cair contra o real na manhã desta sexta-feira, depois de ter registrado ganhos mais cedo em meio a ruídos domésticos sobre os preços dos combustíveis e possíveis interferências na Petrobras por parte do governo, com sinais de avanços na agenda do Congresso e um arrefecimento da divisa norte-americana no exterior elevando os ânimos dos investidores.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou na noite de quinta-feira que vai zerar em definitivo os impostos federais sobre o gás de cozinha e por dois meses os que incidem sobre o diesel, neste caso, com o objetivo de "contrabalançar" o reajuste que considerou "excessivo" da Petrobras de 15% nesse combustível.

Bolsonaro também afirmou em transmissão na quinta-feira pelas redes sociais que "obviamente" vai ter consequência a fala do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que dias atrás havia dito que a ameaça de greve de caminhoneiros não era problema da Petrobras.

Os participantes dos mercados receberam a notícia de forma negativa, uma vez que essa fala "renova preocupações que já existiam sobre a autonomia da estatal", disse à Reuters Thayná Vieira, economista da Toro Investimentos. "Bolsonaro já havia falado que não interferiria na Petrobras, mas seus comentários geraram incerteza."

Com essas manchetes no radar, o dólar chegou a tocar 5,4710 reais na venda na máxima da sessão. Mas, às 10:22, o dólar recuava 0,58%, a 5,4100 reais na venda.

Na B3, o dólar futuro registrava queda de 0,35%, a 5,410 reais.

Colaborando para essa virada no comportamento cambial estava a notícia de que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou na quinta-feira que a chamada PEC Emergencial será pautada no plenário da Casa na próxima semana e que o parecer da proposta deve ser divulgado até a segunda-feira.

O governo sugeriu, em reunião de líderes do Senado na véspera, reduzir a amplitude da PEC de forma a facilitar sua votação na Casa na próxima semana e informou a intenção de editar uma medida provisória sobre o auxílio emergencial assim que ela for aprovada.

"Tivemos sinalização do (presidente da Câmara dos Deputados Arthur) Lira e Pacheco de que o foco permanece em torno da PEC Emergencial. Sua votação tem intenção de cortar despesas para liberar medidas em torno do auxílio emergencial", explicou Vieira. "A reiteração de compromisso com a agenda gera otimismo."

Enquanto isso, no exterior, o índice do dólar contra uma cesta de moedas operava em queda de quase 0,4%. O foco dos investidores globais continuava nos Estados Unidos, à medida que aguardavam novidades sobre um pacote de resgate de 1,9 trilhões de dólares, proposto pelo presidente Joe Biden, em discussão no Congresso.

O dólar spot caminhava para registrar alta de cerca de 0,63% contra o real no acumulado da semana.

A moeda norte-americana à vista fechou o último pregão em alta de 0,48%, a 5,4414 reais na venda.

O Banco Central anunciou para esta sexta-feira leilão de swap tradicional para rolagem de até 19 mil contratos com vencimento em junho e outubro de 2021.