"Rugulopteryx Okamurae": a invasora japonesa ataca agora no Algarve

Há um invasor a conquistar território na União Europeia desde 2015. Depois de se ter instalado também nos Açores em 2019, a japonesa Rugulopteryx Okamurae acaba de invadir também o Algarve, no sul de Portugal continental.

Incluída há poucos dias na lista de "espécies exóticas invasoras" da União Europeia, a alga japonesa está já a alterar a biodiversidade e inclusive a afetar a pesca no barlavento algarvio, repetindo o que também já havia provocado no sul de Espanha, onde a caraterística invasora desta espécie foi pela primeira vez detetada, motivando diversos estudos no país vizinho e preocupação na União Europeia.

"[Estas] algas conseguem infiltrar-se nas redes e fazem com que não atraia o pescado e não pesque", lamentou Fábio Matos, da Associação de Pescadores do Barlavento algarvio, em declarações à RTP.

A Rugulopteryx Okamurae começou por ser detetada em 2009 em França, mas só quando voltou a ser detetada no Estreito de Gibraltar começou a preocupar.

Presume-se que tenha chegado à Europa agarrada ao casco de navios ou através das chamadas águas de lastro.

"A zona de Gibraltar tem um porto muito importante e , no que diz respeito aos Açores, foi precisamente junto ao porto de Ponta Delgada que encontrámos a espécie", contou há algumas semanas ao jornal Público o investigador João Faria, do polo açoriano do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio-Açores), dando força à teoria de que a alga invasora japonesa chegou à Europa através dos navios.

Rapidamente se instalou e proliferou pela costa espanhola, entre Tarifa e Algeciras, começando logo ali a revelar-se um problema para os pescadores e há quem esteja a estudar formas naturais de reduzir a presença da espécie asiática através de herbívoros marinhos.

Em Málaga, estima-se que a Rugulopteryx Okamurae seja responsável por uma redução de 25% no volume de pesca na costa ocidental daquela cidade espanhola.

Aos Açores, chegou em 2019 e a propagação manteve-se rápida. "Veio mudar profundamente o habitat costeiro, nas zonas onde já se estabeleceu", contou à televisão pública portuguesa José Nuno Pereira, da Associação Naturalistas do Atlântico.

Em apenas dois anos, [a 'Rugulopteryx Okamurae'] conseguiu ser a espécie dominante da zona entre marés.

Numa época em que a alimentação humana procura alternativas mais sustentáveis, como as algas, esta espécie japonesa não se revela tóxica mas também não apresenta qualidades gastronómicas.

A Rugulopteryx Okamurae mostra, sim, ser um problema para os ecossistemas marinhos e ameaça tornar-se uma mancha castanha nas recordações dos turistas nestas férias de verão pelo barlavento algarvio.

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