Rush Limbaugh, radialista americano famoso por comentários racistas, machistas e conspiratórios, morre aos 70 anos

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Rush Limbaugh em comício com Donald Trump em 2018
Rush Limbaugh em comício com Donald Trump em 2018; radialista era forte defensor do ex-presidente

Rush Limbaugh, controversa personalidade do rádio americano e comentarista político, morreu aos 70 anos.

Sua esposa, Kathryn Adams, anunciou a morte no programa de rádio do comentarista nesta quarta-feira (17/02). Ele sofria de câncer nos pulmões.

Conhecido como o apresentador do longevo programa The Rush Limbaugh Show, ele foi uma figura de destaque do movimento conservador por muitos anos.

Três presidentes americanos participaram do programa e ele recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade em 2020, durante o governo do republicano Donald Trump.

Limbaugh era tão controverso quanto influente, expressando ao longo se sua carreira opiniões racistas, sexistas e homofóbicas.

Negacionista das mudanças climáticas, ele divulgou diversas teorias da conspiração em seu programa, se opôs veementemente à imigração e foi um forte defensor do chamado "excepcionalismo americano" - a crença de que os Estados Unidos são de alguma forma especiais em relação às demais nações. Limbaugh também foi um ativo apoiador de Trump.

Nascido no Missouri em 12 de janeiro de 1951, começou a trabalhar no rádio em uma emissora local quando ainda estava no ensino médio. Após de formar em 1969, foi estudar na Southeast Missouri State University, mas abandonou o curso após dois semestres e conseguiu seu primeiro emprego numa rádio na Pensilvânia.

Inicialmente, Limbaugh enfrentou dificuldades para ter sucesso no rádio. Ele foi demitido de seus dois primeiros empregos e mudou de volta para a casa dos pais no Missouri. Se tornou então apresentador de um talk show em Kansas City, mas novamente perdeu a vaga.

Em 1979, ele começou a trabalhar para o time de beisebol Kansas City Royals. Nessa época, viajou à Europa e à Ásia. Essas experiências, diria Limbaugh posteriormente, reforçaram sua crença no excepcionalismo americano.

Rush Limbaugh em foto de 1995
Rush Limbaugh (acima, em foto de 1995) defendia o 'excepcionalismo americano'

"Fui a Europa e fiquei pensando: 'Espera aí. Por que esse quarto é tão fora de moda e nada funciona? O que diabos é isso? Eles chamam isso de banheiro?' Então comecei a me perguntar: 'Como é que nós, que somos uma nação há pouco mais de 200 anos, estamos anos-luz à frente de povos que estão por aqui há milhares de anos?'", disse ele a seus ouvinte em 2013.

Limbaugh voltou ao rádio em 1983, lançando no ano seguinte o Rush Limbaugh Show na emissora californiana KFBK.

Mas o conservador declarado só ganhou ampla notoriedade depois que a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) revogou a chamada "fairness doctrine" (algo como doutrina da imparcialidade) em 1987 - uma regulação que até então exigia que as emissoras dos Estados Unidos apresentassem os dois lados de uma opinião controversa.

Como o Wall Street Journal afirmou em 2005, essa decisão permitiu que "apresentadores conservadores hiperarticulados abrissem seus microfones para milhões de eleitores conservadores hiperfuriosos".

Em 1988, o programa passou a ser transmitido nacionalmente e ao vivo por centenas de rádios em todos os Estados Unidos. Em 2020, atraía cerca de 27 milhões de ouvintes todas as semanas.

O programa e seu apresentador desenvolveram forte influência no Partido Republicano e no movimento conservador americano. As opiniões controversas de Limbaugh frequentemente provocavam ultraje.

Ele recebeu fortes críticas pelo uso de estereótipos racistas em seu programa, incluindo uma vez em que disse que todas as imagens de jornais de criminosos procurados se pareciam com o pastor negro e ativista de direitos civis Jesse Jackson.

Limbaugh ao ser condecorado, em 2018
Limbaugh ao ser condecorado, em 2018, depois de anunciar ter câncer

Limbaugh declarava sua oposição aos direitos LGBT, e fazia comentários depreciativos sobre as vítimas da epidemia de HIV/Aids.

Ele rejeitava o conceito de consentimento sexual e desacreditava os defensores dos direitos das mulheres. "O feminismo foi criado para que mulheres feias tenham acesso à sociedade convencional", disse Limbaugh certa vez. Ele frequentemente desqualificava mulheres chamando-as de "feminazis".

Além disso, ele divulgou diversas mentiras e teorias da conspiração aos seus ouvintes, como a que dizia que o ex-presidente americano Barack Obama não nasceu nos Estados Unidos. Também negava a ação do homem sobre as mudanças climáticas e acusava ambientalistas de deliberadamente terem causado o vazamento de óleo no Golfo do México em 2010.

Dizia ainda que os perigos do fumo eram exagerados e seus benefícios escondidos. "Gostaria de receber uma medalha por fumar", disse a seus ouvintes em 2015.

Em fevereiro de 2020, ele afirmou que o coronavírus era "uma gripe comum" e que estava sendo usado como "mais uma elemento para atacar Donald Trump".

Trump ofereceu a Limbaugh a Medalha Presidencial da Liberdade em 2020. O ex-presidente afirmou então que a maior honraria civil americana era para reconhecer a "incansável devoção de décadas ao país" do radialista e os milhões de ouvintes aos quais ele "falava e inspirava".

A medalha foi entregue no dia seguinte ao que Limbaugh anunciou sofrer de um câncer de pulmões em estado avançado.

Em outubro, ele disse aos seus ouvintes que a doença estava progredindo "na direção errada".

Limbaugh se casou quatro vezes e se divorciou três, mas nunca teve filhos.

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