Rússia diz que Estação Espacial Internacional é 'perigosa e inadequada'

Diretor-geral da Roscosmos, agência espacial russa, Yuri Borisov. (REUTERS/Maxim Shemetov)
Diretor-geral da Roscosmos, agência espacial russa, Yuri Borisov. (REUTERS/Maxim Shemetov)
  • ISS estaria mostrando sinais de sua idade, com falhas em equipamentos;

  • Rússia quer lançar sua própria Estação Espacial, a "Ross";

  • Borisov também lamentou as quebras de acordos feitas pelas nações europeias.

Yury Borisov, diretor-geral do Roscosmos, programa espacial russo, afirmou que a Estação Espacial Internacional (ISS) é "perigosa e inadequada para seu propósito". Borisov argumentou que a idade da ISS, que neste ano completa 24 anos de operação, põe em risco a tripulação, devido a possíveis falhas de equipamentos e pela idade das peças.

“Tecnicamente, a ISS excedeu o seu período de garantia. Isso é perigoso”, disse Borisov. “Uma série de falhas de equipamentos está começando. Rachaduras estão aparecendo.”

A afirmação foi dada nesta quinta-feira (01), durante uma conferência em que falava sobre os planos do país de lançar sua própria estação. Até então, a ISS era um símbolo de cooperação internacional entre os países, e uma das poucas iniciativas onde os Estados Unidos e a Rússia atuavam em conjunto.

Borisov manteve a declaração russa de que abandonará a Estação Espacial Internacional em 2024, e que já começou o processo de construção de sua própria Estação Espacial, apelidada de "Ross". Um modelo de como será a estação russa foi apresentada à mídia do país em meados de agosto. Segundo o diretor-geral da Roscosmos, a Ross irá orbitar o planeta nas regiões polares, permitindo assim a coleta de dados sobre radiação cósmica.

O chefe da organização espacial afirmou também que este e outros projetos espaciais estão abertos para cooperação de países amigáveis. “A Rússia está buscando maneiras de interagir com seus colegas mais próximos, sobretudo a China”, disse. A China tem também sua própria estação espacial, a Tiangong, onde os "taikonautas" realizam experimentos e observações.

Durante a conferência ficou claro também o desgosto de Borisov com a quebra de acordos espaciais por parte das nações europeias, devido às sanções econômicas ao país. Recentemente a Agência Espacial Europeia decidiu encerrar sua cooperação com a Rússia no desenvolvimento de um robô explorador, que será lançado em direção à Marte até o fim da década.

“Grandes somas de dinheiro e um enorme esforço foram gastos naquilo (o rover), mas a política interveio, e qual foi o resultado? Não deveria ser assim. Isso está errado”, afirmou Borisov.