Eleições 2020: Bolsonaro faz mistério sobre apoio, mas já encontrou Russomano três vezes

Gustavo Schmitt e Sérgio Roxo
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Celso Russomanno foi candidato a prefeito de São Paulo em 2016
Celso Russomanno foi candidato a prefeito de São Paulo em 2016

Último entre os principais candidatos a definir a sua chapa na eleição de São Paulo, Celso Russomanno, do Republicanos, pediu ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para convencer o PSL a intervir no diretório paulista e retirar a candidatura da deputada Joice Hasselmann à prefeitura.

Segundo aliados de Russomanno, embora Bolsonaro tenha dito que não vai declarar apoio a candidatos na eleição municipal no primeiro turno, a articulação ocorre desde a noite de sábado (12). Seria uma forma de o presidente se fortalecer politicamente na cidade mais rica do país e se contrapor ao governador João Doria (PSDB), seu potencial adversário em 2022.

Doria participou da aliança entre PSDB, MDB e DEM em torno da candidatura à reeleição de Bruno Covas (PSDB). O acordo poderia ainda ajudar na indicação de um nome do MDB na sucessão de Rodrigo Maia (DEM) na presidência da Câmara dos Deputados.

A campanha de Russomano conta com Bolsonaro para impulsioná-lo na terceira tentativa de se eleger prefeito. Nas outras duas, em 2012 e 2016, o deputado liderou as disputas, mas ficou fora do segundo turno na reta final.

Russomanno acredita que terá algum tipo de apoio de Bolsonaro ainda no primeiro turno. Na semana retrasada, ele esteve três vezes com o presidente.

A convenção do Republicanos será amanhã, último dia do prazo definido pela legislação eleitoral. Até lá, ele terá que encontrar um vice. A tendência é que o nome seja do próprio Republicanos, partido que filiou desde abril os dois filhos do presidente, Flávio e Carlos.

—É natural que pela proximidade com o partido com a entrada do Flávio e do Carlos, pela proximidade das pautas e até pela governabilidade, que haja um apoio do Bolsonaro inclusive no primeiro turno — afirma Marcos Alcântara, presidente do Republicanos em São Paulo.

Nas últimas semanas, Bolsonaro fez um movimento de reaproximação com o PSL, legenda que o levou ao Planalto. A possibilidade de o presidente se refiliar ao partido ficou para 2021. O deputado federal Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, não foi encontrado para comentar a possibilidade de intervir no diretório paulista em favor de um apoio a Russomanno.

Presidente do PSL em São Paulo, o deputado Junior Bozzella defende a candidatura de Joice e descarta qualquer possibilidade de ela ser retirada:

— Se existe esse movimento, é mais um sonho palaciano do que algo com uma possibilidade real.