Russomano segue Bolsonaro e defende suspensão de testes da CoronaVac: 'Estelionato tucano'

João Conrado Kneipp
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Russomanno atacou o governo Doria e defendeu a ação da Anvisa de suspender os testes da CoronaVac. (Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação)
Russomanno atacou o governo Doria e defendeu a ação da Anvisa de suspender os testes da CoronaVac. (Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação)

Candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) seguiu o aceno ideológico bolsonarista e defendeu a suspensão do teste clínico da vacina Coronavac, anunciado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na noite de segunda-feira (9).

Russomanno defendeu a ação da Anvisa de paralisar os testes da vacina e atacou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). A CoronaVac é vacina contra o novo coronavírus produzida pela empresa chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, do governo paulista.

“Como prefeito de São Paulo, protegerei nossa população deste estelionato tucano. O governo federal, por meio da Anvisa, suspendeu acertadamente o ensaio clínico da CoronaVac, uma vacina que está longe de cumprir as etapas obrigatórias para sua aprovação. Mais uma vez, o governo Doria assume um risco desnecessário e apressado, desta vez contra a saúde do povo brasileiro, com o objetivo rasteiro de obter lucro político”, escreveu o candidato, em sua conta no Twitter.

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A justificativa da Anvisa para a suspensão é a ocorrência de um “evento adverso grande”, no dia 29 de outubro, mas não deixou específico qual evento teria ocorrido. Já o Instituto Butantan falou em morte não relacionada à vacina.

Com a paralisação dos testes, nenhum novo voluntário poderá receber a vacina. A ação ocorreu no mesmo dia em que Doria anunciou que 120 mil doses da CoronaVac chegarão ao estado ainda no mês de novembro.

A suspensão do teste clínico pegou próprio governo de João Doria (PSDB) de surpresa. A gestão do tucano diz não ter sido avisado pela Anvisa e aliados de Doria questionaram a divulgação da informação por meio de nota, em horário nobre de noticiários de televisão.

‘GUERRA DAS VACINAS’

Há tempos, Doria e Bolsonaro travam uma espécie de “guerra das vacinas”, com o tucano defendendo a aplicação obrigatória do imunizante enquanto o presidente comanda um movimento anti-vacinas. Na manhã desta terça-feira (10), o presidente compartilhou a notícia de suspensão pela Anvisa dos testes da vacina Coronavac e disse ter “ganhado” do tucano.

Na avaliação de aliados do presidente, Doria estaria tentando ganhar “capital político” ao encampar a produção de uma vacina contra a Covid-19 e chegaria municiado neste tema em uma eventual disputa pela presidência em 2022 contra Bolsonaro.