Russos consolidam controle sobre Ilha da Cobra, no mar Negro

O Exército russo consolidou seu controle sobre a Ilha Zmiinyi (Ilha da Cobra), no mar Negro, mobilizando vários sistemas de defesa, uma medida que indica que pretende manter este ponto estratégico, apesar da ameaça de novos sistemas de artilharia e mísseis ucranianos.

As últimas imagens de satélite desta ilhota localizada na costa ucraniana e na romena permitem distinguir diferentes tipos de defesa terra-ar. Os russos também instalaram sistemas de defesa em navios próximos para reforçar a proteção.

“Os russos implantaram vários sistemas antiaéreos na ilha que cobrem vários espectros de ameaças: SA-13, Pantsir, Tor, canhões antiaéreos ZU-23-2”, destaca o pesquisador francês Pierre Grasser, especialista em Defesa Russa.

"Recentemente, consolidaram sua posição (...) Estrategicamente, tudo isso obedece a uma lógica, mesmo antes dos novos recursos ucranianos", analisa uma fonte militar francesa, que pediu para não ser identificada.

Os ocidentais deram à Ucrânia vários sistemas de artilharia móvel que permitiriam, em tese, bombardear a ilha de litorais localizados a cerca de 30 km de distância. Entre eles, estão os canhões franceses Caesar, mas, sobretudo, os lança-foguetes múltiplos Himars enviados pelos americanos - atualmente em uso em algum lugar entre a Europa Ocidental e a Ucrânia.

"Esses sistemas participarão em breve dos combate, e nos comprometemos a continuar alimentando o fluxo de munições", declarou esta semana o subsecretário de Defesa dos EUA, Colin Kahl.

Os sistemas antiaéreos atualmente mobilizados pelos russos “não conseguirão interceptar os foguetes guiados lançados pelo Himars, isso é certo", afirmou Grasser, que, ao mesmo tempo, relativiza essa possível limitação.

Por serem sistemas móveis, no entanto, "os russos podem fazer o que os ucranianos fazem muito bem desde o início da guerra: deslocá-los assim que percebem uma ameaça iminente", até mesmo "em uma pequena ilha", observou este especialista.

- Assalto repelido -

As defesas russas "estão ali, sobretudo, para repelir tentativas de se levar comandos ucranianos para a ilha", explica, lembrando que Kiev já tentou fazer isso pelo menos uma vez, na noite de 7 para 8 de maio. Os comandos foram exterminados.

A ilha tem uma importância fundamental.

Desde o primeiro dia da ofensiva russa, em 24 de fevereiro passado, os invasores garantiram seu controle e depois lutaram para mantê-la, perdendo homens e material. Não muito longe, o cruzador "Moskva" foi atingido por um míssil ucraniano, infligindo à Marinha russa sua maior humilhação em décadas.

Na sexta-feira (17), os ucranianos disseram terem bombardeado, com um míssil, um navio auxiliar russo perto da ilha, dotado de um sistema antiaéreo a bordo.

"Inicialmente concebido para resgate no mar, esse navio servia de plataforma antiaérea improvisada. Um sistema Tor foi instalado nele", destaca Grasser.

No Twitter, o analista de defesa HI Sutton, especialista em temas navais, considera que estes navios “são usados para abastecer a ilha”, a qual “tem uma importância estratégica” - não apenas do ponto de vista militar, mas também econômico.

A ilha está localizada na foz do Danúbio, um dos rios mais importantes do continente e uma artéria comercial europeia. Quem controlar a ilha, pode atacar este ponto. Ela também pode servir como plataforma de lançamento em direção a Odessa, ou mesmo da Romênia. Além disso, tem jazidas de hidrocarbonetos próximas.

fz/me/pc/tt

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