Russos e ucranianos negociam, e Ucrânia vê possibilidade de desbloqueio da exportação de grãos

Negociadores russos e ucranianos se reuniram nesta quarta-feira, em Istambul, em uma conversa mediada por diplomatas da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Turquia para destravar o bloqueio à exportação de toneladas de grãos ucranianos pelo Mar Negro. O entrave faz o preço dos cereais disparar, deixando diversos países às margens de uma crise de fome.

Até o momento, não há maiores informações sobre o conteúdo das três horas e meia de conversas, as primeiras cara a cara entre russos e ucranianos desde 29 de março, quando ainda havia as negociações de cessar-fogo paralisadas desde abril. A Ucrânia afirmou estar perto de um acordo para o desbloqueio, mas os obstáculos não são pequenos.

Desde o início do conflito, em 24 de fevereiro, Moscou vem sendo acusada pela comunidade internacional de barrar a saída de navios com de grãos produzidos na Ucrânia, através da imposição de um bloqueio naval à costa do país. Em alguns lugares, como em Odessa, navios russos estão fundiados a metros da costa e, perto dos portos, há minas postas pelos próprios ucranianos para se protegerem.

O país invadido é um dos maiores exportadores mundiais de trigo e outros cereais, como milho e centeio e, segundo analistas, cerca de 90% de todas as vendas internacionais de grãos e demais commodities agrícolas ucranianas saem por vias marítimas. Hoje, há cerca de 22 milhões de toneladas paradas em solo ucraniano.

Moscou nega as acusações de que usa o bloqueio como uma “arma de guerra” e culpa os próprios ucranianos pela impossibilidade de manter os níveis de exportações de alimentos, que são enviados para dezenas de países ao redor do mundo. A escassez não apenas faz o preço disparar, mas é considerada pela ONU um risco à segurança alimentar de milhões de pessoas.

Opções alternativas para a exportação do produto de Kiev, como transportá-lo por via terrestre ou fluvial, pelo rio Danúbio, são lentas, demasiadamente complicadas ou muito limitadas para a dimensão do problema. Há semanas, Rússia, Ucrânia, a ONU e a Turquia conversavam para destravar a crise, concordando com o encontro presencial em Istambul.

A pressa não é por nada, já que se os grãos ficarem no silo por muito mais tempo, começarão a afetar a safra deste ano, já que fazendeiros não terão onde armazená-la.

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