Russos recuam da margem do rio em frente a Kherson, na Ucrânia

Por Jonathan Landay

KHERSON, Ucrânia (Reuters) - A Rússia retirou tropas e administradores civis de cidades às margens do rio Dnipro, em frente à Kherson, nesta terça-feira, em sinal de que os russos podem estar recuando ainda mais depois de entregar seu maior prêmio ucraniano na semana passada.

Após perdas no campo de batalha Moscou promoveu aparentes ataques de longo alcance na capital Kiev, onde as sirenes de ataque aéreo soaram, duas explosões foram ouvidas e colunas de fumaça podiam ser vistas subindo do solo.

As forças ucranianas invadiram Kherson nos últimos dias para reivindicar o maior prêmio da guerra até agora, uma cidade que o presidente russo, Vladimir Putin, proclamou seis semanas atrás que seria para sempre da Rússia.

A Rússia havia dito que estava arrastando suas forças através do rio Dnipro para posições de mais fácil defesa na margem oposta. Mas em um vídeo gravado na cidade de Oleshky, do outro lado de uma ponte desmoronada sobre o Dnipro a partir de Kherson, não havia sinal de qualquer presença russa.

Um motorista dirigiu pela estrada principal deserta por quilômetros em alta velocidade sem encontrar um único posto de controle ou bandeira russa. Vários bunkers montados ao longo da estrada pareciam ter sido abandonados. A localização do vídeo foi confirmada pela Reuters com base em pontos de referência visíveis.

Os militares ucranianos disseram durante a noite que atiraram contra posições inimigas em Oleshky, mas as autoridades ucranianas não comentaram as imagens que parecem mostrar que as tropas russas se retiraram para o local.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse a líderes mundiais que não haverá trégua na campanha militar da Ucrânia para expulsar as tropas russas de seu país, após a vitória na semana passada na única capital regional que a Rússia havia capturado desde a invasão.

"Não permitiremos que a Rússia espere, construa suas forças e inicie uma nova série de terror e desestabilização global", disse ele em um discurso a partir de uma transmissão em vídeo para a cúpula das grandes economias do G20 na Indonésia. "Estou convencido de que agora é o momento em que a guerra destrutiva russa precisa e pode ser interrompida."