Sánchez espera que Espanha conclua as medidas de confinamento até 1 de julho

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, de máscara, no Congresso, em Madri, em 20 de maio de 2020

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou neste domingo que espera que o país conclua o processo de flexibilização do confinamento em 1º de julho, ao anunciar uma última prorrogação do estado de alerta, que permite limitar a mobilidade, até 21 de junho.

"Em 1º de julho, espero que, se não acontecer um desvio na evolução da epidemia, todo o território espanhol possa recuperar a liberdade de movimento", disse o socialista Sánchez em uma entrevista coletiva.

Até o fim do processo de desescalada do confinamento por fases, os espanhóis não têm permissão para deslocamentos de uma província para outra, já que a epidemia de coronavírus foi controlada em diferentes velocidades nas diversas regiões.

"Estamos a ponto de chegar a bom porto (...) e acabar com esta emergência de saúde", disse.

"Voltamos a precisar de uma última e definitiva prorrogação de 15 dias do estado de alerta", que terminava em 7 de junho, afirmou Sánchez.

O governo anunciou para 1º de julho a reabertura de suas fronteiras aos turistas estrangeiros e o fim da quarentena de 15 dias atualmente em vigor para qualquer pessoa que entra no país.

A Espanha, um dos países mais afetados pela pandemia do coronavírus, com mais de 27.000 mortes, organiza há algumas semanas um processo de desconfinamento por fases, na qual as regiões avançam de acordo com a situação epidemiológica.

A princípio, as fases duram duas semanas, o que significa que a desescalada deve terminar no fim de junho em quase todas as regiões. Em Madri e Barcelona deve prosseguir até o início de julho.

As duas maiores cidades do país, cenário dos maiores focos de coronavírus do país, foram as últimas a iniciar a flexibilização do confinamento, na segunda-feira passada.

Sánchez explicou que as autoridades regionais, que voltarão a assumir as competências que ficaram concentradas com o governo durante o estado de alerta, poderão administrar a terceira e última fase do confinamento e poderão reduzir sua duração caso a situação permita.

Na segunda-feira, 70% dos espanhóis estarão na fase 2, o que permite principalmente a abertura de praias e restaurantes, que até a fase 1 só eram autorizados a oferecer mesas nos terraços.

A nova prorrogação até 21 de junho do estado de alerta, que permitiu impor um dos confinamentos mais severos do mundo em 14 de março, deve ser validada pelo Congresso na quarta-feira.

O governo de coalizão dos socialistas e do partido de esquerda radical Podemos, minoritário no Congresso, tem o apoio necessário para a nova ampliação do estado de alerta graças a acordos alcançados no sábado com os independentistas catalães do ERC e os nacionalistas bascos do PNV.

Sánchez já havia tentado em meados de maio prorrogar por um mês o estado de alerta, mas teve que reduzir o período de sua solicitação a 15 dias, até 7 de junho.

A direita e a extrema-direita, que incentivaram manifestações contra o governo nas ruas, criticam a maneira como Sánchez administrou a crise e afirmam que ele restringiu as liberdades, aproveitando o estado de alerta.