Sánchez defende sua política contra desconfinamento prematuro na Espanha

O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, faz um minuto de silêncio de sua cadeira no Congresso dos Deputados, antes do debate sobre a prolongação do estado de emergência, em 6 de maio de 2020, em Madri

O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou nesta quarta-feira (6) que seria "imperdoável" suspender o confinamento do país "de maneira precipitada", ao defender no Congresso uma extensão do estado de emergência que permitiu a aplicação dessas severas restrições.

"Ignorar o risco da epidemia e suspender o estado de emergência de maneira precipitada seria um erro absoluto, total e imperdoável", disse Sánchez no Congresso, que deve validar essa prorrogação solicitada pelo governo e rejeitada pelos conservadores e pela extrema direita.

Em vigor desde 14 de março, o estado de emergência permitiu ao Executivo decretar um severo confinamento dos 47 milhões de espanhóis. A medida foi suavizada no final de abril.

De acordo com o balanço divulgado hoje pelo Ministério da Saúde, o número de óbitos com coronavírus nas últimas 24 horas chegou a 244, após três dias abaixo de 200 mortes diárias.

O total de falecimentos é de 25.857, e o número de casos diagnosticados passa de 220.000, números que fazem da Espanha um dos países mais afetados pela pandemia.

Quase dois meses de confinamento conseguiram retardar consideravelmente a propagação da doença, que causou 950 mortes em um dia no início de abril.

- Disputa política

O diretor do Centro de Emergências de Saúde, Fernando Simón, destacou que, exceto nas duas regiões mais afetadas, Madri e Catalunha, o restante registrou entre 0 e 3 internações em terapia intensiva na última parte.

"Estamos progredindo muito bem. Seria muito triste que, por alguns dias de ansiedade, saíssemos mais rápido do que o recomendado. Perderemos tudo que ganhamos", alertou.

O governo, que já permite as saídas de crianças ao ar livre, assim como passeios e a prática individual de esportes para adultos, prevê um processo de desconfinamento até o final de junho.

Esse processo será gradual, com a suspensão das restrições em etapas.

Para isso, Sánchez pediu ao Congresso que estenda o estado de emergência por mais duas semanas. A medida fica em vigor até este sábado, à meia-noite.

"Limitamos a liberdade de movimento, a liberdade de reunião, é verdade. Mas fazemos isso para salvar vidas", argumentou.

"As restrições serão menos severas, mas continuará havendo restrições, e essas restrições precisam de um estado de emergência", justificou Sánchez, que garante o apoio do partido centrista Cidadãos e de outros partidos regionais.

Sua gestão da crise foi fortemente criticada pelos conservadores, pela extrema direita e pelo movimento de independência da Catalunha, que entendem que o governo está fazendo uso abusivo dessa medida excepcional.

"Esse estado de emergência fez sentido no início da pandemia (...), mas não pode ser prolongado indefinidamente", disse Pablo Casado, líder do Partido Popular conservador.

Casado acusa o governo Sánchez de um "fracasso retumbante de gestão", com "falhas, improvisos e reviravoltas".

Em seu discurso, o líder socialista também anunciou o decreto de um luto nacional, quando o país como um todo começar a desescalada - provavelmente na próxima segunda-feira -, e a celebração de uma homenagem às vítimas quando esse processo terminar.