Sánchez prorroga estado de urgência na Espanha até 6 de junho

O líder espanhol Pedro Sánchez em Madri, em 20 de maio de 2020

Em meio a um descontentamento crescente, o presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, apelou nesta quarta-feira (20) à união para estender o estado de alarme contra a pandemia de coronavírus por mais duas semanas, após pedir unidade a um Parlamento muito polarizado.

O Congresso aprovou a solicitação do Executivo para prorrogar o prazo por uma maioria de 177 votos a favor, frente aos 162 contra e 11 abstenções.

O estado de urgência, que terminaria no próximo sábado, ficará vigente até 6 de junho.

"Foram os espanhóis unidos que interromperam o vírus (...) Ninguém tem o direito de desperdiçar o que alcançamos entre todas essas longas semanas de confinamento", argumentou Sánchez no Parlamento, antes da votação.

Os últimos dias foram marcados por protestos contra o governo nas ruas de Madri, Saragoça, Sevilha ou Córdoba.

Pedindo a renúncia do governo, os manifestantes acusam o Executivo de reduzir as liberdades e de incompetência na gestão da crise.

Os protestos receberam o apoio do partido de extrema direita Vox, cujo líder, Santiago Abascal, alertou nesta quarta-feira que "a revolta não pode parar".

"Pretende que escolhemos entre você ou o caos, mas é impossível, porque o caos é você e a coisa mais séria é que você assume que é incapaz de proteger os espanhóis", disse o líder do conservador Partido Popular (PP), Pablo Casado.

Alegações rejeitadas por Sánchez, que durante o debate insistiu na "prudência", porque "ainda existem centenas de infecções diárias que devemos detectar, atender e isolar", e apresentou a extensão do estado de alarme como "a única maneira possível de combater efetivamente o vírus".

Como medida inédita, foi decretado que, a partir desta quinta-feira, toda pessoa a partir dos 6 anos de idade será obrigada a usar uma máscara na rua ou em locais públicos como lojas, quando não for possível manter a distância de segurança interpessoal de dois metros.

O estado de alarme está em vigor na Espanha desde meados de março e foi prorrogado sucessivamente a cada 15 dias.

Essa restrição tem sido fundamental na luta contra o coronavírus, que até agora causou 27.888 mortes em um dos países mais afetados do mundo, e que nos últimos quatro dias registrou menos mortes diárias se comparadas aos cem mortos por dia, anteriormente.

Nesta quarta, o governo registrou 95 mortes nas últimas 24 horas.

Inicialmente, o gabinete, minoria na Câmara, planejava estender o estado de alarme por um mês e prometeu que seria a última extensão.

Mas não obteve apoio suficiente e teve que reduzir a proposta de prorrogação para 15 dias, ajustando-se às demandas do partido de centro-direita liberal Ciudadanos.

O apoio do Ciudadanos representa uma mudança na estratégia do governo e irritou os separatistas catalães da Esquerra Republicana (ERC), fundamentais na posse de Sánchez como presidente em janeiro passado.

Seu porta-voz parlamentar, Gabriel Rufián, acusou o socialista de preferir "a direita".