Sánchez se prepara para chefiar inédito governo de coalizão na Espanha

Por Diego URDANETA
Pedro Sánchez

O líder socialista espanhol Pedro Sánchez passará por uma nova votação no Parlamento espanhol nesta terça-feira (7), na qual deve receber o apoio necessário para assumir um inédito governo de coalizão de esquerda, que pode pôr fim a um longo período de bloqueio político.

No último domingo (05), o líder, de 47 anos, perdeu uma primeira votação de confiança no Congresso. Sánchez obteve 166 votos a favor, longe da maioria absoluta (176 de 350) necessária para receber a confiança da Câmara no primeiro turno.

No entanto, na terça-feira (07), o Parlamento se reunirá novamente a partir das 12h locais (8h de Brasília) e, de acordo com as estimativas de votos, o líder socialista poderá ter sucesso por uma diferença mínima.

Ao somar o apoio dos socialistas, da esquerda radical do Podemos, partido que será seu futuro parceiro de governo, e de vários pequenos partidos regionais, entre eles os independentistas catalães, Sánchez deverá receber 167 votos a favor e 165 contra. Com esse resultado, poderá assumir a presidência do governo.

Em um Congresso muito fragmentado, o líder socialista se certificou na última semana sobre a abstenção dos 13 deputados do partido separatista Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), algo indispensável para que Sánchez saia vitorioso nessa segunda votação.

Na última semana, esses deputados tinham exigido dos socialistas "uma mesa de diálogo" entre Madri e Barcelona para encontrar soluções para a crise persistente na região nordeste da Espanha.

Caso ocorra, a renovação política colocará fim a uma paralisação iniciada durante as eleições legislativas em abril do último ano, seguido de um fracasso na formação de um governo e de uma novo período eleitoral em novembro.

A Espanha, que vive um período de instabilidade política desde 2015, teve quatro novas eleições gerais ao longo dos últimos quatro anos.

Pedro Sánchez, que chegou ao poder após uma moção de censura que retirou do poder o conservador Mariano Rajoy, em junho de 2018, será líder de um governo de coalizão entre o PSOE (120 deputados) e o Podemos (35 deputados).

A sua proposta de governo é progressista, com foco em políticas sociais, ecológicas e feministas, buscando a diminuição das desigualdades surgidas a partir da crise econômica.

Muitos dos discursos de Sánchez giraram em torno do conflito catalão, cujo pico foi a tentativa fracassada de secessão de outubro de 2017.

Em meados de outubro, nove líderes separatistas foram condenados a altas penas de prisão por esses eventos, uma decisão da Suprema Corte que desencadeou protestos, às vezes violentos, na região. Entre os prisioneiros, o líder do ERC, Oriol Junqueras.

Em minoria e em um contexto de fragmentação e polarização, analistas questionam a estabilidade do que será a primeira coalizão governamental desde o final da ditadura de Francisco Franco (1975), forçada a negociar com várias partes para avançar com seu programa.

"O cenário político continua sendo complexo. O novo governo será minoritário, as tensões na Catalunha podem aumentar novamente e a situação fiscal torna difícil o uso de verbas", ressalta Steven Trypsteen, economista do banco ING.