Sâmia Bomfim presta queixa após ser ameaçada de morte e de estupro

***ARQUIVO*** SÃO PAULO/ SP, BRASIL, 17-07-2022 - A deputada Sâmia Bomfim participa, com seu filho, de ato em homenagem ao petista Marcelo de Arruda, em São Paulo  (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO/ SP, BRASIL, 17-07-2022 - A deputada Sâmia Bomfim participa, com seu filho, de ato em homenagem ao petista Marcelo de Arruda, em São Paulo (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A líder do PSOL na Câmara dos Deputados, Sâmia Bomfim (SP), registrou um boletim de ocorrência após receber uma ameaça de estupro e de morte por email. Um inquérito foi aberto, e o caso será investigado pela divisão de crimes cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo.

No texto, o agressor chama a parlamentar de "vagabunda" e "parasita", faz menções ao seu peso e ameaça estuprá-la e assassiná-la na frente de seu filho.

"Acha que vai continuar exercendo este cargo de deputada federal até 2023? Nana-nina-não [sic], sua vadia. Vamos te amarrar e te estuprar na frente do seu filho Hugo e do Glauber", diz a ameaça, segundo mensagem compartilhada com a coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, pela equipe da deputada.

Casada com o deputado federal Glauber Braga (PSOL), Bomfim deu à luz Hugo, filho do casal, há pouco mais de um ano.

"Depois vamos matar todos vocês pra deixar claro por quem a Câmara dos Deputados deve ser ocupada", segue o email, que é finalizado com palavras de ordem de cunho homofóbico, antissemita e misógino.

Sâmia Bomfim afirma que detratores têm como hábito atacar mulheres que ocupam cargos na política, mas que não irá se intimidar. "Não nos surpreende, infelizmente, que, conforme se aproximam as eleições, eles ampliem essas ameaças", afirma.

"O nosso recado para eles é de que todas as ameaças estão sendo investigadas, e os responsáveis serão punidos. Por mais que tentem nos calar e nos intimidar, nós não arredaremos o pé da política", diz a deputada federal.

Ela ainda afirma que a sociedade brasileira não deve naturalizar agressões "tão perversas, misóginas e nazistas" como essas, cobrando uma investigação minuciosa por parte das autoridades policiais.

"A gente sabe que esses criminosos utilizam de servidores ocultos para tentar dificultar o processo de investigação, mas esperamos que, com ciência, tecnologia e com a seriedade no enfrentamento a esses grupos neonazistas, a gente consiga identificar os agressores e tomar medidas exemplares de punição", afirma a líder do PSOL.

Na segunda-feira (1º), a ex-deputada federal Manuela d'Ávila (PC do B) compartilhou em suas redes uma das ameaças que recebeu. Os ataques a ela e à sua família foi um dos fatores que levou a ex-parlamentar a não se candidatar neste ano.

"Ser uma mulher pública no Brasil é ser amaçada permanente. É escolher um lugar para o medo, outro para a coragem, outro lugar pro fingir ignorar", escreveu d'Ávila.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, a eleição deste ano será a primeira com uma lei sobre violência política de gênero em vigor.

Aprovada no ano passado, a lei 14.192 estabelece que é crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar uma candidata, com menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou ainda à sua cor, raça ou etnia. A lei também vale para mulheres que já ocupam cargos eletivos

A punição é de até quatro anos de prisão e multa. Se a violência ocorrer pela internet e em redes sociais, a pena pode chegar a seis anos.

O movimento para endurecer as regras contra agressores foi capitaneado pela bancada feminina no Congresso, que viu escalar os episódios de ataques na política nos últimos anos e pressionou pela aprovação de ambos.

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