São Gonçalo ganha dois colégios militares estaduais com 200 vagas; inscrições já estão abertas

Carolina Ribeiro
O Ciep 438 Rubens Maurício da Silva Abreu, no Galo Branco, é uma das duas unidades militares

Niterói — São Gonçalo vai ganhar dois colégios militares neste ano letivo. As unidades serão instaladas em imóveis cedidos pela prefeitura nos bairros do Galo Branco (Ciep 438 — Rubens Maurício da Silva Abreu) e em Alcântara (Colégio Estadual Coronel PM Marcus Jardim — antigo Cenecista Tobias Tostes). O período de matrículas para as 200 vagas do 1º ano do ensino médio começou na última quinta-feira (23) e ficará aberto até que todas sejam preenchidas.

Além das disciplinas da Base Nacional Comum Curricular, ministradas por professores da rede pública estadual, os alunos terão matérias com temática militar, projeto de vida e outras. Segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), os conteúdos serão abordados por profissionais dos órgãos de segurança, que serão parceiros na iniciativa.

Mercado de trabalho

A implantação das escolas militares foi uma promessa de campanha do governador Wilson Witzel. Na época, ele afirmou que a ideia era inaugurá-las em todos os municípios, aproveitando colégios estaduais já existentes. Em nota, a Seeduc ressaltou que a ampliação das escolas vocacionadas, como as cívico-militares, é uma das prioridades da pasta, “uma vez que são voltadas à formação profissional e auxiliam o aluno no mercado de trabalho”.

A prefeitura de São Gonçalo afirmou, em nota, que a equipe pedagógica da Secretaria municipal de Educação (Semed) planeja alocar os antigos alunos dessas escolas, agora militares, em unidades próximas e que nenhuma criança ficará sem vaga em escola municipal por conta da mudança. O texto diz ainda que a Semed vê como positiva a iniciativa e contribuirá para que o projeto seja bem-sucedido.

As matrículas são realizadas pelo site Matrícula Fácil, no endereço matriculafacil.rj.gov.br e devem ser confirmadas na Diretoria Regional Metropolitana II, na Rua Francisco Portela s/nº, no Paraíso. No site do governo do estado, o secretário de Educação, Pedro Fernandes, ressaltou que as vagas foram abertas na segunda fase de matrículas do estado para atender alunos com vocação militar. Este ano, foi anunciada a criação de 11 colégios militares no Rio, totalizando 13, com os outros dois inaugurados no ano passado, em Volta Redonda e em Miguel Pereira.

Flavio Serafini, deputado estadual e presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) afirma que a comissão está empenhada para que o município receba novas escolas estaduais. Serafini ressalta que a segunda maior cidade do estado tem um déficit de vagas muito grande, principalmente, após o fechamento de 20 unidades no município.

— É lamentável, entretanto, que a Seeduc opte pelo modelo militarizado, concebido sem nenhum debate com aqueles que atuam e estudam a educação no seu cotidiano. Não existem evidências de que este modelo promove educação de qualidade com diversidade, democracia e inclusão, características fundamentais da relação pedagógica. Ao contrário, impõe a disciplina e a filosofia militares que são estranhos ao ambiente escolar e por isso acabam excluindo muitos adolescentes — opina, acrescentando que o modelo também não oportuniza iniciação profissional e técnica.

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