São João: no Rio, quase metade das apreensões de balões ocorrem entre junho e agosto

Após dois anos com restrições por causa da pandemia, as festas de São João voltaram e, com elas, o aumento de soltura de balões, prática considerada crime ambiental inafiançável, com pena de detenção de um a três anos e multa. Somente no ano passado, foram registradas nas delegacias do estado do Rio 66 apreensões de balões. Delas, 26 ocorreram entre os meses de junho e agosto: 40% do total em apenas três meses, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP).

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Apesar dos dados de 2022 ano ainda não terem sido contabilizados pelo ISP, um levantamento do Corpo de Bombeiros aponta que, ao longo deste ano, houve 12.755 eventos relacionados à fogo em vegetação, em via pública e incêndios no estado do Rio. Os números não são relacionados diretamente à soltura de balões, mas podem explicar que o hábito negativo não foi deixado de lado este ano.

Publicações nas redes sociais mostram que o crime ambiental continua a ser praticado com frequência no Rio: na manhã do último dia 30, um balão caiu no condomínio Morada do Sol, em Botafogo, assustando moradores. A Polícia Militar precisou ir até o local e, felizmente, ninguém ficou ferido e não houve danos ao local atingido.

Mais recentemente, no dia 2 de junho, após denúncias, equipes do Comando de Polícia Ambiental (CPAm) foram até a Rua Guarabú, no Engenho da Rainha, desarticular uma fábrica clandestina de balões. Eles apreenderam um balão de 80 metros, 10 balões de 40 metros, duas bandeiras de 40 metros e dois maçaricos. Ninguém foi preso e o material foi apresentado na 24ª DP (Piedade).

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— A atuação do CPAm no combate à soltura clandestina de balões é realizada com base nas denúncias recebidas e por meio dos levantamentos feitos pela Divisão de Assuntos Internos, serviço de inteligência da Unidade. A população pode apoiar o trabalho do CPAm por meio do Linha Verde, que é um programa do Disque Denúncia exclusivo para recebimento de informações sobre crimes ambientais — alertou o coronel Luciano de Vasconcelos, comandante do CPAm.

Não só soltar, mas fabricar, vender e transportar balões também é crime. Para tentar prevenir eventual transtorno e poder acionar a PM, o Linha Verde do Disque Denúncia recebe queixas sobre atos referentes à fabricação e compra do material. Ao longo dos meses de 2022, o órgão tem observado um aumento no número de denúncias sobre fabricação ou marcação de eventos para soltura de balões: enquanto houve apenas uma queixa de janeiro a março; foram seis reclamações apenas em abril e maio.

— Sabemos o perigo que um balão representa, e por isso, pedimos apoio da à população para que forneça mais informações a respeito desta prática criminosa que traz muitos riscos para todos — disse o diretor do Disque Denúncia, Renato Almeida, ao anunciar o Disque Balão em abril. A campanha se estende até setembro.

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Mesmo assim, uma semana antes do ocorrido em Botafogo, no dia 22, um balão caiu em plena Avenida das Américas, assustando motoristas e pedestres que passavam pelo Recreio dos Bandeirantes. Também em maio, na manhã do dia 15, foi a vez de um balão causar confusão e perigo num condomínio na Estrada do Camorim. Uma moradora flagrou o balão caindo aceso no local.

Já em 13 de março, um deles caiu próximo ao BRT de Vicente de Carvalho, onde, mais uma vez, a PM precisou ser acionada. "Bando de irresponsáveis. Criticam o preço do combustível mas gastam muito com estas drogas, colocando a vida dos outros em perigo", criticou uma moradora, pelas redes sociais.

Período de estiagem

Por serem feitos da combinação de estopa com materiais inflamáveis (parafina e querosene ou álcool) aquecidos em seu interior, os balões entram em correntes de ar e são levados para locais imprevisíveis, impossíveis de monitorar. Dependendo de onde caiam causam danos irreparáveis, ferindo pessoas, atingindo redes elétricas, causando explosões e incendiando matas.

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Além disso, a situação se agrava durante o período de estiagem, de maio a outubro, quando a baixa umidade relativa do ar e a temperatura favorecem os incêndios florestais por conta da vegetação mais seca. Os balões também oferecem riscos à aviação: mesmo os pequenos podem provocar acidentes em contato com as turbinas dos aviões próximos ao pouso ou decolagem.

Para denunciar, ligue para o Linha Verde, do Disque Denúncia: 0300 253 1177 (para o interior, a custo de ligação local), 2253 1177 (para a capital), ou por meio do aplicativo para celulares “Disque Denúncia RJ”.

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