São Paulo detecta casos de variantes sueca e sul-africana do coronavírus

Giuliana de Toledo
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SÃO PAULO - O Instituto Butantan encontrou no estado de São Paulo casos de coronavírus provocados por cepas da Suécia e da África do Sul. Foi detectada ainda a variante N9, que é uma mutação da P1, a chamada linhagem de Manaus, que já domina o país.

Essas três novas variantes do Sars-CoV-2 apareceram entre os testes realizados pelo instituto em uma única semana, com o intuito de justamente checar por meio de sequenciamento genômico que cepas têm circulado nas cidades paulistas. A B.1.351, variante sul-africana, apareceu em uma amostra da Baixada Santista (a cidade exata não foi divulgada). A B.1.318, variante da Suécia que também já circula no Reino Unido, foi descoberta em Itapecerica da Serra. Já a N9 estava presente em Jardinópolis.

A linhagem sueca é novidade em São Paulo, mas já foi encontrada, em março, em um caso de Santa Catarina. A sul-africana, porém, já foi a responsável pela infecção de uma moradora de Sorocaba, no interior paulista, também em março. Ela não teve contato com viajantes, segundo informou.

A N9, por sua vez, já foi apontada em ao menos 35 amostras coletadas entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021 em dez estados brasileiros, como mostrou um estudo da Fiocruz publicado em março.

Cautela

Em nota à imprensa, o Butantan destaca que, dessas três, a sul-africana é a única variante considerada "de preocupação", por estar relacionada a uma explosão de casos de Covid e pelo risco que representa à eficácia de vacinas. A sueca e a N9, por outro lado, são vistas como "variantes de interesse" por enquanto. Elas foram menos observadas até o momento e não se sabe tanto sobre as suas características.

"Ainda é cedo para dizer, porém, se elas são mais transmissíveis ou mais agressivas do que as variantes brasileiras já amplamente descritas, a P1 e a P2", informa o instituto.

Para Maria Carolina Sabbaga, vice-diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Instituto Butantan, esses achados apontam que "tem muita variante em São Paulo". "Precisamos de políticas de contenção e respeitar o distanciamento para que a gente não fique espalhando variantes", avaliou ela na divulgação dos estudos.

Não foram dadas ainda mais informações sobre esses casos, como o estado de saúde dos pacientes nem se eles tiveram histórico de viagem ou contato com alguém de fora do Brasil.

Também procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo não respondeu, até a conclusão deste texto, sobre suas ações para monitorar os casos descobertos.