São Paulo Fashion Week desfila consumo com consciência

Por Natalia RAMOS
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Passarela da Ellus na São Paulo Fashion Week em São Paulo, no dia 14 de março de 2017

São dias de crise econômica no Brasil e a Semana da Moda de São Paulo apresentou uma proposta para enfrentá-la: recicle, reutilize, transforme, levando assim brilho e cor aos dias mais cinzentos.

A maior passarela da América Latina, conhecida como SPFW, terminou nessa sexta-feira após apresentar as coleções de 30 marcas sob a nova forma de venda "see now, buy now" ou "veja agora, compre agora", vendendo nas lojas quase que imediatamente o que é mostrado nos desfiles.

Essas são algumas das propostas e ideias mostradas no evento, que aconteceu no prédio da Bienal de Arte de São Paulo, a maior e mais rica cidade brasileira.

- Uma nova oportunidade -

"Não devemos ter medo de ousar com o que está mais velho", diz o consultor de moda e apresentador Arlindo Grund. "Podemos utilizar roupas antigas, retingir, intervir nelas. É algo que tem cada vez mais força”, afirma.

Conhecido como "upcycling", o processo de revitalizar algo que estava velho e abandonado é uma das propostas de marcas como a À La Garçonne, do estilista Alexandre Herchcovitch e seu companheiro Fabio Souza, diretor criativo. Herchcovitch deixou já há algum tempo a marca com seu nome para trabalhar nesse projeto, que inclui jaquetas pintadas a mão e o uso do chamado "plástico verde" em algumas peças, material renovável elaborado a partida da cana-de-açúcar.

"Reaproveitar coisas tem muito a ver com períodos de crise", diz Grund em entrevista à AFP.

- Diversidade sempre -

Na última edição da SPFW, no final do ano passado, o estilista Ronaldo Fraga apresentou sua coleção toda com modelos transexuais, e nesse ano são os modelos mais “maduros” que chamaram atenção. Em um ambiente onde parece prevalecer o desejo de eterna juventude, os modelos de cabelos grisalhos Jorge Gelati, de 52 anos, e Marcos Luko, de 47, desfilaram para Ellus. "A moda mudou muito, está mais diversificada", diz Luko. A ex-modelo Susana Kertzer, de 67 anos, desfilou para UMA no primeiro dia do evento, na segunda-feira. "A moda não tem idade, não há porque mostrar somente modelos tão jovens", diz O Estado de São Paulo.

- Consumo consciente -

"O consumidor de hoje não só lê os rótulos do que come, mas também do que veste", diz Eneas Neto, um dos estilistas que se apresentou no Projeto Estufa que a SPFW lançou esse ano para valorizar as marcas com propostas mais sustentáveis. Na etiqueta das peças há informação sobre a pegada de carbono e a procedência de cada uma delas.

"Evito ao máximo o descarte e gosto de reaproveitar os tecidos", diz Fabiana Milazzo, estilista que trabalha com bordadoras e ex-presidiárias. Em sua estreia na SPFW mostrou looks com aplicações de denim reutilizado.

- Mais cor por favor -

As coleções são de inverno, mas as cores vibrantes não foram esquecidas e apareceram em coleções como a de Isabela Capeto, da Ellus e da Animale. "Muito amarelo, muito vermelho, violeta, cáqui. Há um contraponto com o preto, que também aparece porque são coleções de inverno, mas é interesante sair da zona de conforto e se atrever com essas combinações inusitadas", diz Grund.

- Brilhos e metalizados -

Perderam um pouco de força mas voltaram em todo o seu esplendor. "Nessa temporada o metalizado volta com toda força", diz Jacqueline Queiroz, especialista em beleza da Natura, que patrocina a Semana de Moda paulista. "Inclusive na boca", lembra. Tons de bronze, grafite e prateado luminoso estão não só nas roupas e sapatos mas também voltam à maquiagem.

Nos lábios, além desses tons, os tons de vermelhos aumentaram e nessa temporada apareceram tons muito escuros, como uva e azul. Apesar disso o rosto é cada vez mais natural, sem contornos tão marcados como se faz há muito tempo, diz Queiroz, que advoga pela "beleza natural".