São Paulo investiga 15 casos de reinfecção pelo coronavírus

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SAO PAULO, Aug. 12, 2020 -- Pedestrians wearing face masks walk on the street in Sao Paulo, Brazil, Aug. 12, 2020.   Brazil on Wednesday said it registered 1,175 deaths from the novel coronavirus COVID-19 in the previous 24 hours, raising the death toll to 104,201.    According to the Brazilian Ministry of Health's daily pandemic report, tests detected 55,155 new cases of infection in the same 24-hour period, taking the total caseload to 3,164,785.    A total of 2,309,477 patients have recovered. (Photo by Xinhua/Xinhua via Getty) (Xinhua/ via Getty Images)
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SÃO PAULO — Quinze casos suspeitos de reinfecção pelo novo coronavírus estão sendo investigados em São Paulo. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina, que no início do mês acompanhava dois casos do tipo, agora passou a acompanhar sete pessoas, e montou um laboratório para se dedicar aos estudos. O HC de Ribeirão Preto, no interior do estado, investiga oito pacientes com suspeita de reinfecção.

Nesta segunda-feira, cientistas de Hong Kong reportaram o primeiro caso confirmado de reinfecção pelo vírus. Trata-se de um homem de 33 anos, que contraiu Covid-19 em abril e depois testou positivo novamente em agosto.

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A discussão sobre a suspeita de reinfecção em pacientes em São Paulo cresceu há duas semanas, com o relato de uma técnica de enfermagem de Ribeirão Preto. Ela apresentou os sintomas da Covid-19 em maio, data em que foi realizado o primeiro exame RT-PCR. O resultado deu negativo, mas, como os sintomas persistiram, o exame foi repetido no nono dia, confirmando a presença do vírus. No 10° dia, os sintomas desapareceram. No entanto, em 27 de junho, 38 dias depois, a paciente voltou a apresentar sintomas. Apesar de relatos diferentes, o novo RT-PCR deu positivo novamente.

Segundo Fernando Bellissimo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e coordenador da pesquisa sobre reinfecção na universidade, o estudo sobre o caso da técnica de enfermagem foi finalizado e enviado nesta segunda-feira para publicação em uma revista científica de circulação internacional.

— Imagino que em aproximadamente dez dias a revista nos dê uma resposta. Se passar pelo crivo deles, significa que nossa suspeita de reinfecção foi referendada pela ciência, ou seja, darão crédito à nossa investigação.

O professor explica que, diferentemente do que ocorreu com o caso de Hong Kong, não foi realizado um sequenciamento genético do coronavírus no caso de Ribeirão Preto para fazer a análise. No entanto, o estudo se baseia em três fortes pilares:

— Pilar epidemiológico, mostrando que a paciente teve contato com pessoas que testaram positivo para Covid; pilar clínico, que significa ter sintomas típicos da doença no intervalo compatível com o período de incubação do vírusç e o pilar dos exames, já que o PCR e a sorologia deram positivo para Covid — diz o especialista. — O problema é que aqui a gente não costuma guardar as amostras, o que complica a comprovação como o pessoal de Hong Kong fez, mas para mim a prova definitiva é um conjunto de evidências — acrescenta.

Para Nancy Bellei, infectologista da Unifesp e coordenadora do laboratório que testa voluntários brasileiros para a vacina de Oxford, a publicação científica de um caso de reinfecção por Covid-19 não invalida os atuais estudos em andamento sobre imunizantes.

— Ter uma documentação sobre reinfecção era algo esperado, considerando o padrão do vírus resíratório. Isso não diminui o impacto que a vacina possa ter em termos de saúde pública.

No entanto, a especialista chama atenção para a análise que ainda precisa ser feita sobre os efeitos da vacina em cada organismo:

— A questão é como cada um responderá individualmente, e isso teremos de ver como serão as reações. O que a gente não sabia, continuamos sem saber, que é o papel que essa vacina terá a longo prazo e quando tempo deve durar no organismo.

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