São Paulo investiga sete casos suspeitos de hepatite misteriosa em três cidades

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo investiga sete casos suspeitos da hepatite misteriosa que atinge especialmente crianças. Os casos foram identificados em São José dos Campos, em Fernandópolis e na capital.

De acordo com a secretaria, até a última sexta (7), 2 dos 7 pacientes estavam internados. O órgão estadual diz que aguarda conclusão dos exames diagnósticos para confirmar a relação com a doença.

Somados os casos suspeitos de São Paulo, o número de ocorrências sob investigação no país sobe para ao menos 15. Os demais divulgados até agora estão no Rio de Janeiro (6) e no Paraná (2). A hepatite é uma doença de notificação compulsória no Brasil. Isso significa que estados e municípios devem informar as ocorrências e as suspeitas para o Ministério da Saúde.

Até o momento, cerca de 300 casos já foram confirmados em pelo menos 25 países, a maior parte deles na União Europeia, segundo o boletim mais recente do ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças).

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ser causada por infecções virais e até o consumo excessivo de álcool, assim como alguns medicamentos e substâncias tóxicas. Existem cinco vírus conhecidos que causam a hepatite: A, B, C, D e E. Além destes cinco, há a hepatite autoimune, em que o próprio sistema imunológico do corpo ataca o fígado.

A ocorrência em crianças saudáveis é considerada incomum pelas agências de saúde e especialistas. Isso porque nenhum dos vírus causadores da doença foram detectados nos pacientes.

Até o momento, três crianças morreram vítimas da doença na Indonésia. Os EUA investigam cinco mortes suspeitas e uma morte está sob investigação na Palestina.

Apenas 10% dos casos confirmados até o momento no mundo evoluíram para a inflamação do fígado, provocando a necessidade do transplante do órgão. As crianças que precisaram passar pelo procedimento se recuperaram bem, segundo informações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

POSSÍVEL CAUSA

De acordo com a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA), a associação dessa hepatite com adenovírus continua a ser a principal suspeita para a causa da doença. "O adenovírus é o vírus mais frequentemente detectado nas amostras testadas", diz boletim da agência britânica emitido em 6 de maio. Adenovírus são comuns e costumam causar resfriados e gripes, e, em alguns casos, problemas estomacais ou intestinais, segundo o CDC.

Segundo a UKHSA, na Inglaterra, desde os últimos meses do ano passado, os registros de adenovírus em crianças de 1 a 4 anos têm sido maiores do que os usualmente registrados nos últimos cinco anos.

A investigação busca entender se a doença poderia estar sendo causada por uma mudança no genoma do adenovírus. Outros vírus também são investigados, incluindo o Sars-CoV-2 (em cerca de 18% dos casos houve detecção do vírus causador da Covid).

Segundo dados da UKHSA, aumentou, também desde o fim do ano passado, o número de casos, em crianças menores de 10 anos, de infecções por adenovírus precedendo, coinfectando ou sendo infecção secundária ao Sars-CoV-2.

Desde de maio de 2021, também cresceram consideravelmente os casos de coinfecção de adenovírus e outros vírus. As coinfecções mais frequentes são com rinovírus, rinovírus/enterovírus humanos, o Sars-CoV-2 e o vírus sincicial respiratório.

As autoridades ainda avaliam se uma menor exposição de crianças a vírus, decorrente do isolamento social durante a pandemia, pode ter aumentado a suscetibilidade dos pequenos aos problemas que estão sendo detectados. Outras teorias apontadas pela UKHSA são: uma onda excepcionalmente grande de adenovírus normais que estariam causando uma complicação rara e pouco conhecida; susceptibilidade anormal ou resposta da pessoa a adenovírus por causa de infecção anterior por Sars-CoV-2 ou outras infecções; mais susceptibilidade por coinfecção; susceptibilidade anormal devido a toxina, droga ou exposição ambiental.

Entra ainda na lista de possibilidades uma nova variante de adenovírus, que poderia ter impulso com alguma das situações citadas acima, ou um novo patógeno. Uma possível síndrome pós-Covid também é considerada. Também não é descartada a possibilidade de uma nova variante do Sars-CoV-2.

O adenovírus 41, presente em várias das coletas realizadas em pessoas doente, é um dos tipos investigados. Ele pode causar doenças estomacais severas em crianças, mas, usualmente, não provoca hepatite em crianças saudáveis. Ainda causa resfriados, problemas respiratórios e conjuntivite em crianças. A maior parte das pessoas é infectada antes dos cinco anos, justamente o intervalo de idade com maior incidência da hepatite aguda misteriosa no Reino Unido, país mais afetado até o momento.

Dos 163 casos registrados até a data no país, 126 foram testados para infecção por adenovírus e a sua presença foi confirmada em 72% dos pacientes.

Não há evidências de que os casos de hepatite aguda sem origem conhecida tenham qualquer relação com as vacinas contra Covid-19.

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