São Paulo volta à fase mais restritiva perante a pandemia

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O governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa em 21 de julho de 2020

O estado de São Paulo, o mais rico e populoso do país, voltou neste sábado à "fase vermelha", referente às restrições para evitar o colapso de hospitais no período mais letal da pandemia no Brasil.

A fase de alerta máximo irá até 19 de março em todo o estado, com 46 milhões de habitantes (quase um quarto dos 212 milhões de brasileiros).

As ruas da capital econômica do país estavam praticamente vazias de carros e pedestres por causa do fechamento ao público de parques, bares, restaurantes, museus e lojas consideradas não essenciais, verificou a AFP.

Só funcionam os centros de saúde e alimentação, o transporte público, e algumas outras. Escolas e igrejas também foram consideradas como atividades essenciais, contanto que sigam os protocolos de saúde.

O governo do estado de São Paulo havia decretado na última quarta-feira o retorno durante duas semanas à 'fase vermelha' de restrições.

"Vamos enfrentar as duas piores semanas da pandemia no Brasil desde março do ano passado", quando a doença fez a primeira das hoje mais de 257.000 vítimas fatais pela covid-19 que o país acumula, declarou o governador João Doria.

"Estamos hoje em São Paulo e no Brasil à beira de um colapso da saúde", alertou Doria.

São Paulo, o estado mais rico e populoso do país, com 46 milhões de habitantes, também é o que registra o maior número de mortes (61.064) e de casos (2,1 milhões) desde o início da pandemia.

Sua rede hospitalar vive o momento de maior pressão ao longo de um ano, com 100% de ocupação dos leitos em unidades de terapia intensiva (UTI) em 19 centros estaduais de saúde.

Outros estados e municípios do país, incluindo Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul, retomaram as medidas de restrição, com o fechamento total de atividades não essenciais até restrições por horários e toque de recolher noturno.

A situação da saúde no país "é muito grave", afirmou na sexta-feira o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A média semanal de mortes no Brasil está acima de 1.000 desde 20 de janeiro, pela primeira vez desde agosto de 2020, e ultrapassou as 1.400 desde sexta-feira.

Até o momento 7,9 milhões de brasileiros (3,7% da população) já foram vacinados e apenas 2,6 milhões deles com a segunda dose.

Esse número é muito inferior ao do Chile, líder no processo de vacinação na região da América Latina, com 21,1% da população vacinada com ao menos uma dose, mas superior a outras grandes economias da região, como México (1,6%), Argentina (2,3%) e Colômbia (0,4%), segundo uma compilação de dados da AFP.

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