São Paulo x Fluminense: o que explica o amor e ódio a Fernando Diniz e os altos e baixos dos trabalhos

A volta ao Morumbi hoje, às 16h, fará Fernando Diniz relembrar momentos importantes da carreira de treinador. O São Paulo, adversário desta tarde, foi o clube em que ele esteve mais próximo de um grande título, no Brasileiro-2020. Agora, de volta ao Fluminense, repete o bom trabalho e traz esperança para Laranjeiras. Ser a figura central deste clássico simboliza a metamorfose constante que é a vida e a obra do técnico.

Porque Diniz, por si só, é polarizador — algo que o estafe dele está tentando mudar. Quem gosta, ama. A defesa é que ele tenta implementar algo “diferente” do já visto por aqui, atraindo elogios principalmente de quem trabalha com ele. Quem não gosta, tem repulsa. Críticas pela irregularidade e resultados ruins existem aos montes.

Pessoas próximas ao treinador garantem que esse lado “explosivo” é proposital, e tem como objetivo atiçar uma característica fundamental de suas equipes: a atenção. O objetivo é manter a concentração de todos durante 100% do tempo. Às vezes, pode até ser viso como exagero, mas é avaliado como normal nos vestiários por onde passou.

Mas um momento de explosão ficou marcado, justamente no Brasileiro-2020, pelo São Paulo: ele chamou Tchê Tchê de “ingrato”, “perninha” e “mascaradinho” — críticas captadas pelos microfones da transmissão. O jogador afirmou depois que ficou com “raiva incontrolável”. Já Diniz trata o caso como um momento menor da relação entre os dois, que começou ainda no Audax-SP, onde ambos ganharam projeção.

Formação em psicologia

Diniz se sente confortável para ser mais contundente quando necessário devido a relação estreita que consegue criar. Não é tratado como um pai, mas como um amigo. No São Paulo, ganhou pontos com o elenco após um treino, onde percebeu que um funcionário querido pelos atletas aparentava estar triste. Diniz sentou e conversou com ele. O gesto foi bem recebido.

Há casos como o de Fred, que o considera o melhor com quem já trabalhou. Daniel Alves, treinado por Pep Guardiola, segue a mesma opinião. Neymar também já o elogiou.

— O Diniz está em outro nível ao perceber coisas que ninguém vê e só ele enxerga. Tudo é muito cobrado, bem detalhado, mas ele não larga esse lado humano — disse Fred em entrevista ao GLOBO, na semana passada.

Jogadores procurados pela reportagem divergem entre os motivos para gostarem tanto de Diniz, mas são unânimes em um elogio: é extremamente didático e gosta de atacar. Jogar no esquema tático dele é prazeroso, contam. Gostam de ter a bola e liberdade. Seus treinamentos também são elogiados. Os que não gostam, reclamam de falta de oportunidades ou que não tiveram tempo suficiente para demonstrar o potencial.

Outro ponto citado é o lado humano. Diniz é formado em psicologia e usa isso a seu favor. Não faltam relatos de atletas que garantem que suas carreiras foram salvas por ele. O treinador não é de passar a mão na cabeça de medalhões ou jovens, mas conversa com eles de igual para igual.

Diniz sabe que está em alta e o Flu está bem. Mas a missão é a conter o oba-oba para não repetir o que aconteceu no São Paulo, quando perdeu o título na reta final.

Montanha-russa

É consenso que a discussão com Tchê Tchê pesou, mas o clima no clube paulista passou a ser péssimo após a entrada de Julio Casares na presidência. A campanha era de “refundar a Barra Funda”, se referindo às saídas de Diniz, Daniel Alves e outras lideranças. A presença no vestiário inibiu os atletas e o rendimento naturalmente caiu.

No Vasco, Diniz sabia o risco que corria. Contratado com o cruz-maltino na parte de baixo da tabela da Série B, chegou a dar esperança de acesso por algumas rodadas. Esbarrou na limitação técnica do elenco, mas hoje vê a oportunidade com gratidão.

Já no Santos, Diniz aceitou a proposta do presidente Andrés Rueda após o clube vender Soteldo, Pituca e Kaio Jorge. Foi prometido a ele que não perderia mais ninguém, mas após seu anúncio houve as saídas de Sandry, Marinho e Luan Peres. Na primeira fase irregular, foi demitido. Até hoje não engoliu a situação.

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