São Silvestre: Emoção, homenagens às vítimas da Covid, aos profissionais da saúde e um carnaval fora de época em São Paulo

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SÃO PAULO — As três amigas olham para Wesily Cavalcante, de 36 anos, quando perguntadas o que significa correr a São Silvestre após um hiato inédito de um ano por conta da pandemia. A fisioterapeuta chora enquanto observa os corredores chegando à Avenida Paulista. A tradicional prova foi vencida por Sandrafelis Chebet, do Quênia, e Belay Bezabh, da Etiópia. Ambos repetiram o feito de 2018 nesta sexta-feira em São Paulo.

— Lembro dos meus pacientes (de Covid-19) que me pediam para viver. Não tem como não pensar neles. Eu me sinto grata por minha saúde — diz Wesily.

O quarteto deixou Maceió para correr a 96ª edição da corrida de rua mais famosa do Brasil. Com exceção de Thassia Casado, o grupo não costuma participar de corridas. Mas as amigas decidiram passar o Réveillon na capital paulista e aproveitaram a oportunidade para correr os 15 Km da prova.

O sentimento de agradecimento está na ponta da língua de muitos competidores, em especial àqueles que perderam entes queridos na pandemia. Antônio Barata, de 65 anos, corre a São Silvestre há três décadas e diz se sentir seguro, hoje, para voltar a correr na rua. A razão: três doses da vacina.

— Há um sentimento de realização por eu ter chegado vivo neste ano. Foi um ano muito difícil para todos. Perdi amigos e familiares que não entenderam as limitações da doença — afirma.

Para além da vida dos corredores, a pandemia provocou mudanças marcantes na prova. Além da obrigatoriedade no uso da máscara na largada e na chegada da prova, ao longo da Avenida Paulista, o número de corredores neste ano foi reduzido. Após um recorde de inscritos em 2019 (35 mil), a organização limitou a quantidade de competidores para 20 mil nesta edição.

Se a pandemia deixou tantas pessoas de fora, também foi responsável por trazer algumas para o mundo da corrida. A curitibana Juliana Passos, de 32 anos, diz que começou a praticar cooper em razão do isolamento social. Como passou a trabalhar de casa no ano passado, escolheu a corrida como forma de se exercitar.

Ela competiu a São Silvestre pela primeira vez e comemorou o tempo agradável na capital paulista. A cidade amanheceu sob chuva leve, mas o céu começou a abrir ao longo da manhã, apesar da previsão de tempo chuvoso durante a corrida. Às 7h30 surgiu o primeiro raio de sol na Avenida Paulista.

Fantasias para 2022 e lembranças de Vera Fischer

A tradicional turma dos corredores fantasiados homenageou este ano os esforços dos profissionais de saúde na crise. Os irmãos Sarli Júnior, 61 anos, e Renato Sarli, 57 anos, destinaram à vacinação sua caracterização para a prova. Com uma vacina de plástico de mais de um metro e meio de comprimento, Júnior fingia aplicar a dose no braço do irmão, enquanto posava para fotografias dos muito curiosos, especialmente em frente ao Parque Trianon.

— O intuito (da fantasia) é mostrar que o Brasil precisa chegar a 220 milhões de vacinados para nos livrarmos da pandemia. Não esqueçam de tomar a terceira dose e de vacinar nossas crianças. Só assim venceremos essa guerra — afirma Júnior.

Já José Geraldo da Silva, de Pedrazul (MG), escolheu se vestir de "Floresta Amazônica" para alertar sobre a preservação do "maior patrimônio da humanidade" e defender a preservação da biodiversidade. Ele corre a prova desde 1999.

Castor Meduza, que mora em São José dos Campos, no Vale do Paraíba paulista, participa da prova desde 1992. Este ano, não titubeou: chegou vestido de Homem Aranha. Fez a festa dos fãs do super-herói, posando para fotos ao lado dos pôsteres nos pontos de ônibus da Avenida Paulista que faziam propaganda do novo filme da Marvel.

— Vim em 1992 porque tinha ouvido falar que a Vera Fischer ia participar da São Silvestre. Sou muito fã dela, então vim para tentar encontrá-la. Não achei a Vera, mas aproveitei e corri a prova e nunca mais parei — conta.

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