São Silvestre tem protestos contra racismo e Judiciário e fantasias de super-herói

Ana Letícia Leão
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O aposentado baiano Jorge Rezende protesta contra o Judiciário na corrida de São Silvestre, em São Paulo

SÃO PAULO — Engana-se quem pensa que atradicional Corrida Internacional de São Silvestre, em São Paulo, é apenas umlugar para atletas. Nesta terça-feira, véspera de ano-novo, 35 mil pessoasparticiparam da 95ª edição de uma das mais famosas corridas de rua do mundo. Entre corredores profissionais e amadores, a região da Avenida Paulistatambém foi palco para protestos, fantasias e carnaval antecipado.

O aposentado Jorge Rezende, de 60 anos, veio deMuritiba, interior da Bahia, não só para correr a São Silvestre, mas tambémpara protestar contra o Judiciário. Segurando um cartaz com os dizeres “JustiçaBrasileira, o Porto Seguro para os bandidos ricos”, Rezende afirmou que ocansaço de segurar a placa durante toda a corrida vale a pena pela força doprotesto.

— Não desisto de carregar a placa durante acorrida. Vale a pena o sacrifício, e o brasileiro não desiste nunca.Infelizmente, estamos vivendo uma ditadura do Judiciário, que só beneficia osprivilegiados. Só tem direito à Justiça quem tem dinheiro, quem não tem fica àmercê.

Já o empresário Luiz Carlos Moreira, de 65 anos,correu quatro São Silvestres como maratonista profissional na categoria elite,mas aproveitou este ano para protestar contra o racismo no esporte.

— Carrego essa faixa para dizer que adiscriminação tem que acabar. O racismo no esporte é insano, um absurdo. Vimpara mostrar que somos todos iguais. Até quando vai haver racismo? — questiona.

Corrida ou carnaval?

Além de palco para protestos, a São Silvestretambém reuniu centenas de pessoas fantasiadas. É o caso de 17 amigas que vieramde Goiânia para o evento esportivo. Incentivavas pela corredora Miriam CristinaRodrigues, de 49 anos, elas enxergaram na fantasia um empurrão para conseguirterminar todo o trecho, de 15km.

— É a minha sexta São Silvestre fantasiada. Já vimde Avatar, Minions, e já corri a maratona de Nova York vestida de Estátua daLiberdade — conta Miriam Cristina. — Correr fantasiado é festa, é alegria, é arrepio o tempo todo. Possome machucar, me esfolar, mas sempre chego. As pessoas criam essa expectativa emvocê e as crianças também vibram.

Pensar em incentivar a corrida infantil é amotivação do operador de produção Douglas Antunes Duarte, de 40 anos, e domotorista de ônibus Alfredo José dos Santos Júnior. A dupla, integrante doSuper Corredores Cosplay de Sorocaba, no interior de São Paulo, veio fantasiadade super-heróis: Flash e Super-Homem.

— A roupa é um pouco quente, mas vale a pena.Nossa ideia é fazer a alegria da galera e também incentivar crianças emvulnerabilidade social a participarem — explica Júnior.

Olha a subida!

Os participantes largaram na altura do número2000 da avenida Paulista, quase esquina com a rua Augusta, e percorreram 15 kmentre ruas e avenidas do centro da capital. O trecho mais temido, segundo osparticipantes, foi a subida da avenida Brigadeiro Luís Antônio, quase nachegada

Neste ano, a São Silvestre largou uma hora maiscedo. Além disso, o número oficial de inscritos aumentou de 30mil para 35 mil.Com uma ultrapassagem nos segundos finais, o queniano Kibiwott Kandie venceu acorrida, com um tempo de 42 minutos e 59 segundos. O primeiro lugar do pódiofeminino também foi do Quênia, representado pela atleta Brigid Kosgei, de 25anos.