Série mostra curiosidades do Catar e de 13 países que vão disputar a Copa do Mundo

Treze representantes de países que vão disputar a Copa do Mundo são revisitados numa conversa virtual, anos e até décadas após o primeiro contato, e contam que rumos suas vidas tomaram. De bônus, um capítulo mostra as curiosidades do Catar, país sede do campeonato de futebol que terá início no próximo dia 20. Assim é “Passagem para reencontros”, série apresentada pelo jornalista Luís Nachbin no Canal Futura, às terças e quintas-feiras, às 19h45. Logo após serem exibidos, os episódios ficam disponíveis também no Globoplay.

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O do Catar, excepcionalmente, vai ao ar no sábado, 19, véspera da abertura da Copa do Mundo, às 15h30. Diferentemente dos demais, foi totalmente produzido de forma presencial. Nachbin viajou para a península árabe em 5 de outubro e lá permaneceu por dez dias, registrando pessoas, hábitos e peculiaridades locais.

— Dois aspectos me surpreenderam: primeiro, as mulheres levando vida normal. É proibido beber cerveja nas ruas, mas nos bares de hotéis tanto elas quanto os homens podem, desde que sua religião permita. Também entrevistei várias delas que têm cargos de chefia por lá. E relativizei a ideia de realizarem uma Copa do Mundo num país desértico, sem a menor tradição no futebol e muito caro. Eu saí da bolha em Doha (capital do Catar) e encontrei restaurantes em que eu almoçava superbem por 4 dólares, ou seja, 20 e poucos reais. Não sei se conseguiria algo assim na Copa do Japão, por exemplo. Para não pagar uma fortuna, tem que procurar pelos becos, pelos subterrâneos — dá a dica.

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O Catar foi o 94º destino de Nachbin na produção independente de filmes e documentários. A cada viagem, ele é a equipe de um homem só: segue sozinho, com uma câmera nas mãos, uma ideia na cabeça e à espera do inusitado.

— Achei maravilhoso como o Catar é uma multiplicidade gigante de culturas, de costumes, de línguas... São 189 nacionalidades convivendo harmonicamente. Eu me senti superacolhido lá. Também é um lugar muito seguro, as pessoas têm liberdade para ir e vir à noite, sem nenhum problema. De negativo, o calor absurdo, com média de 37° C em pleno outono. É um país com muito apelo ao consumo, com propagandas por todos os lados, como uma Time Square (de Nova York) multiplicada por dez. E é uma autarquia, em que o Emir dá sempre a palavra inicial e a final — detalha o jornalista.

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No episódio destaterça-feira (dia 8), o terceiro da série, Nachbin reencontra Ivanete, ativista que em 2010 lutava pelos direitos das prostitutas em Corumbá (MS). No de quinta-feira, revê Eric, construtor de caixões temáticos e artista de Gana, país da África Ocidental. Em 2011, entrevistado nos Estados Unidos, onde foi dar uma oficina, ele afirmava que o sonho americano não lhe seduziria e que jamais trocaria seu país de origem. Mais de uma década depois, onde ele estará?

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O positivo e o negativo de cada país revisitado em “Passagem para reencontros”, segundo Nachbin

Espanha: “O professor José Palazón, entrevistado de Melilla, é um sábio que o mundo deveria ouvir. Já a cidade espanhola ao norte da África é uma prisão, um grande pátio cercado”.

Japão: “O país é um modelo de respeito ao próximo. Mas os preços são exorbitantes, tudo é muito caro lá”.

Brasil: “O abraço e o calor humano do povo é o melhor que temos. A desigualdade social é triste demais”.

Gana: “É um lugar de paz, mas tem algumas localidades abandonadas na periferia da capital”.

Alemanha: “O acolhimento aos refugiados é bonito. Por ser tão rico, o país poderia acolher muito mais”.

Costa Rica: “É um país-modelo para a América Latina. Mas deveria ter comidas mais bem temperadas (risos)”.

México: “A culinária de lá é maravilhosa! De ruim, o caos no trânsito da Cidade do México”.

Estados Unidos: “É um lugar que ainda oferece muitas oportunidades, mas a pobreza é crescente”.

França: “É o melhor lugar do mundo para se tomar um café observando a vida. O ruim é o preço do café (risos)”.

Tunísia: “Culinária franco-árabe espetacular e Primavera Árabe que deu certo. A desigualdade de gênero (ainda) é evidente”.

Sérvia: “A hospitalidade foi maior do que eu esperava. Mas a pobreza também”.

Uruguai: “É exemplo de país na pauta de costumes. De negativo, precisa gerar mais emprego e oportunidades para os jovens”.

Irã: “A receptividade ao turista é maravilhosa. A opressão às mulheres é horrível”.

Catar: “É lindo o convívio pacífico entre 189 nacionalidades diferentes. De negativo, falta de liberdade de expressão”.

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