Sétimo do ranking, Hugo Calderano chega às Olímpiadas de Tóquio como esperança do tênis de mesa

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O tênis de mesa chega às Olímpiadas de Tóquio com esperança renovada para buscar uma medalha inédita para o Brasil. Atual sétimo colocado no ranking da modalidades, Hugo Calderano, de 25 anos, é uma das maiores promessas de surpresa para o país nesta edição.

Para trazer a conquista, porém, o brasileiro terá de quebrar uma hegemonia que já dura 17 anos. Desde os Jogos de Atenas, em 2004, que um mesatenista de fora da China não vence a disputa no masculino individual. No entanto, são nos outros tipos de disputa que a força dos chineses é ainda maior. Para se ter uma ideia, o país levou todos os ouros nas duplas e por equipes no masculino, e no feminino só não conquistou o ouro em 1988, ficando com a prata. Mas nada disso assusta no atleta brasileiro.

— Eles são realmente superiores na parte técnica, não tenho dúvida. Sei que a minha técnica melhorou bastante desde que me mudei para a Alemanha. Mas é justamente na parte mental que sinto que consigo competir com eles e ter alguma chance, alguma coisa extra. Eu também já mostrei várias vezes que nos momentos importantes eu consegui jogar bem. E com certeza, a parte mental é a principal no tênis de mesa — destacou Calderano.

Nascido na cidade do Rio, o mesatenista vive bom momento na carreira, e acaba de mudar de clube na Europa. Após sete anos defendendo o Liebherr Ochsenhausen, da Alemanha, ele acaba de assinar contrato com o Fakel Gazprom Orenburg, da Rússia (uma das maiores potências do continente) para a disputa da Liga dos Campeões da modalidade na próxima temporada, que começará depois das olimpíadas. Principal equipe do continente na década, o Fakel conquistou seis títulos europeus dos últimos dez anos.

Em meio à pandemia de Covid-19, Hugo, porém, enfretou problemas em sua preparação para os Jogos de Tóquio. O atleta teve de se submeter a alguns períodos sem treinos por conta das restrições de circulação impostas na Alemanha, sem poder até mesmo de deixar o país, onde mora há sete anos. Mesmo com as restrições, no entanto, ele conseguiu se adaptar, realizando treinos em casa, e acredita ter aproveitado bem o período excepcional.

— A pandemia afetou todo mundo, fiquei um ano e meio sem ver minha família, sem voltar parar o Brasil. E apesar de ter conseguido continuar treinando, eu também tive algumas quarentenas que atrapalharam. Mas eu sempre fui um cara que não precisei de muitas competições oficiais, nos treinos eu consigo simular competições e já chego preparado para a disputa. E esse ano eu estou melhor que ano passado. Então tem, sim, um ponto positivo — disse.

Tarefa difícil

Desde que estreou nas Olimpíadas, em 1988, nos Jogos de Seul, a China ganhou nada menos que 28 das 32 medalhas de ouro distribuídas pela modalidade. As exceções ocorreram logo nas primeiras edições, com a vitória da Coreia do Sul nas duplas femininas na primeira edição e com as vitórias da Suécia, em 1992, e novamente da Coreia do Sul, em 1988 e 2004, no individual masculino.

Ao todo, de um total de 84 medalhas possíveis (com cada país tendo apenas um representante nas duplas), a China levou 53 delas. Para enfrentar e tentar quebrar essa hegemonia, além da longa rotina de treinos, Calderano conta que investe também no trabalho mental e de concentração.

— O Brasil estar chegando entre as potências do mundo é incrível. Se a gente compara o nível de investimentos da Ásia, eles têm uma estrutura muito grande. Infelizmente essa não é a realidade no Brasil e isso enfatiza ainda mais a nossa chegada entre os melhores do mundo. Estou me preparando da melhor forma para ter o máximo de chance. Eu não consigo controlar o que os outros vão fazer, mas sim o que eu vou fazer. Então meu objetivo, com certeza, é ganhar uma medalha — destacou.

Mesmo cercada de expectativas, a equipe do país segue cautelosa em relação à possibilidade de buscar medalhas. Para Hugo, a união entre os atletas brasileiros que vão aos jogos é um dos principais pontos positivos. O Brasil terá representantes em todas as modalidades de disputa: individual e por equipes, no feminino (com Jéssica Yamada, Caroline Kumahara e Bruna Takahashi, que será a representante no individual) e no masculino (com Gustavo Tsuboi e Vitor Ishiy, além de Calderano).

— Nas últimas competições, a gente teve bons resultados, então isso ajuda bastante o nosso entrosamento. Todo mundo tem o mesmo objetivo, todo mundo vendo essa oportunidade de ter um resultado muito bom em Tóquio. A gente vai chegar como cabeça de chave número seis, então vamos pegar uma equipe atrás da gente no ranking nas oitavas. E a equipe está bem unida, com o objetivo em mente e espero que a gente tenha uma boa performance — disse.

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