Símbolo de recuperação de manguezal, ave Frango d'água se multiplica na Lagoa

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RIO — De pequeno porte, penugem preta e bico vermelho, o frango d’água pode não despertar a atenção de quem passa pela Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas ele está ali, e as famílias têm crescido nos últimos tempos. Um bom sinal. Para especialistas, esse aumento representa a melhoria da conservação e qualidade dos mangues da Lagoa.

O biólogo Mario Moscatelli, que desde 1989 faz trabalho de recuperação dos mangues da Lagoa, conta que a primeira vez que viu uma ninhada de frango d’água no local foi em 1999. Para ele, nunca houve tanta ocorrência de frangos d’água quanto agora.

— Em 1999, me ligaram dizendo que tinham pintos pretos no manguezal, na Lagoa. Desde lá, eu não encontrei tantos ninhos quanto agora. Há três meses, só no trecho entre o Clube Piraquê e a Igreja de São José, eram sete ninhos de frango d’água e três de socós em um só dia — celebra Moscatelli. — Ecossistemas bem degradados podem ser recuperados. Manguezais criaram ambiente de reprodução, que não existia antes. Sem falar no filtro de poluição.

Quando começou seu trabalho, Moscatelli lembra que não havia mais mangues na lagoa. Hoje, a extensão é estimada em cerca de 16 mil metros quadrados, o que ajuda também na melhoria da qualidade da água e do ar.

A bióloga Larissa Cunha, da UFRJ, também tem observado o aumento das aves no local.

— Parece ter aumentado a população, mas só daria para afirmar com mais exatidão com estudos. Muitos motivos podem favorecer o aumento, como oferta de alimento, redução de predador, mas a melhoria do ambiente é a hipótese mais provável. Até porque os gaviões, que são predadores dos frangos, estão aumentando ultimamente.

Informações mais precisas sobre o frango d’ água e várias outras espécies da fauna e da flora, qualidade da água, presença de poluentes, contaminantes e sedimentos deverão ser realidade em breve. Um projeto de pesquisadores da Unirio, batizado de Ecoshift, foi contemplado por um edital da Faperj e vai mapear toda a Lagoa Rodrigo de Freitas, sob o aspecto ambiental. O mesmo será feito na Bacia do Guandu. O biólogo e oceanógrafo Luciano Neves explica o trabalho:

—Queremos revolucionar o que se sabe sobre a Lagoa. Vamos monitorar vários pontos e levantar todos serviços ecológicos, fauna, poluentes, componentes, organismos, plásticos e contaminantes — diz Neves, que classificou o frango d’água como uma possível “sentinela”. — Alguns organismos têm mais ou menos impacto no funcionamento da Lagoa. O frango d’água, que sobrevive em vários ambientes mesmo poluídos, pode ser uma sentinela para analisarmos quantidade de contaminantes.

Apesar de voar curtas distâncias, o frango d’água consegue realizar migrações relevantes. Seu tempo médio de vida é de cinco anos, com facilidade de reprodução.

— Eles gostam de ficar perto de mangue, porque colocam ovos em lugares mais protegidos — afirma o biólogo Marcelo Mello.

Também especialista em aves, o biólogo da Uerj Rodrigo Guerra acredita que o crescimento urbano do entorno da Lagoa pode ter causado um “sumiço temporário” desses frangos, como nas décadas de 80 e 90.

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