Síndica desiste de câmeras após sequência de vandalismo: 'Quebrariam quantas vezes eu instalasse'

Moradores de prédios da rua Gustavo Sampaio, no Leme, Zona Sul do Rio, têm precisado lidar com uma rotina de vandalismo que tem como alvo as câmeras de segurança localizadas nos imóveis. Segundo os relatos, as ações seriam para impedir que fossem feitas imagens que registrassem a entrada e a saída de acessos aos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira. Uma das síndicas relata que nos dois últimos meses, período em que está à frente da administração do local, já foram três as vezes em que os equipamentos instalados foram retirados por ação de criminosos. Ela afirma, ainda, que durante a ação, um deles chegou a afirmar que repetiria o ato quantas vezes fosse necessário.

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— Minha primeira providência como síndica foi instalar câmeras para melhorar o monitoramento, mas logo foi vandalizada. Reinstalei uma segunda vez, depois uma terceira, mas quem vandalizou disse para a câmera que quebraria quantas vezes eu reinstalasse, que não queria câmera na rua — relata a administradora, que tem dois meses como síndica, e já precisa lidar com o medo: — O sistema era excelente, é uma pena não poder usar mais. Mantivemos agora apenas as da garagem e da portaria, para nossa proteção, sem nada voltado para a rua — concluiu ela, que prefere não se identificar.

Porteiros e moradores da localidade apontam que ao menos três prédios foram alvos da ação de vandalismo na última semana. Segundo Rick Aragão, morador do Leme, a insegurança aumentou no bairro:

— Temos a sensação que o Leme está mudado. Era bem mais tranquilo, é um bairro pacato, sem saída, todo mundo se conhece, parece cidade do interior. Agora ouvimos falar de assalto e furto toda hora — lamenta Rick, que é administrador de grupos do WhatsApp e Facebook que mantém em contato moradores, comerciantes e agentes de segurança para agilizar nas ações para coibir os atos.

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— Não há medo, mas revolta sobre o vandalismo nas câmeras. Depois de uma visita no 19°BPM, foi me sugerido que fosse criado um grupo para denúncia e hoje são dois grupos com quase 500 pessoas, mas as coisas ainda acontecem, mesmo com a polícia por perto — lamenta o morador, que valoriza o policiamento na região.

Imagens da última semana, que circulam pelas redes, mostram uma ação à luz do dia em que homens, em grupo, caminham pela rua Gustavo Sampaio até danificarem o equipamento, com golpe dado com as próprias mãos. Em outras imagens, feitas durante a madrugada da última quarta-feira, um homem encapuzado aparece caminhando tranquilamente pela rua com um objeto em mãos — que parece um pedaço de madeira — e se dirige à calçada de um dos prédios. Lá, ele se pendura na grade do imóvel e, com o auxílio do objeto, dá golpes no equipamento, até conseguir puxá-lo com as mãos.

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A rua Gustavo Sampaio fica localizada atrás da Praia do Leme e é um misto de prédios residenciais e comércio na beira da rua. Os Morros da Babilônia e Chapéu Mangueira são localizados ao fundo de boa parte dos prédios da região e há um beco que liga as comunidades ao endereço. Moradores alegam que os atos de vandalismo são uma forma de evitar que os equipamentos fiquem voltados para a entrada da comunidade.

Em uma das fachadas em que as câmeras foram retiradas, é possível perceber um furo na grade, que parece resultado de um tiro, mas nenhum dos moradores sabe precisar quando aconteceu: só afirmam que não é recente, mas serve como alerta.

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Na rua, boa parte das câmeras é do sistema de monitoramento Gabriel, que atua em quase toda a Zona Sul do Rio. Segundo a empresa, na semana passada, foram apenas três câmeras vandalizadas — em um universo de duas mil — e que foi registrada ocorrência por dano patrimonial. Além disso, a Gabriel informa que consegue manter uma boa cobertura de imagens mesmo com algum dos equipamentos vandalizados, por conta de outros equipamentos instalados na região.

De acordo com a Polícia Militar, as situações de dano às câmeras foram relatadas para a o 19° BPM (Copacabana) "posteriormente aos fatos" e que a unidade mantém um canal de comunicação direto com moradores e síndicos. O batalhão conta com apoio da UPP Chapéu Mangueira para prevenir e coibir delitos na região. Por fim, a PM informa que foram feitas 676 prisões em flagrante na área atendida pelo 19º BPM entre janeiro e setembro deste ano.