Síndrome diagnosticada na cantora Jessie J não tem cura: entenda a Doença de Ménière

Raphaela Ramos
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Foto: Brenno Carvalho

Uma das estrelas do último Rock in Rio, em 2019, a cantora britânica Jessie J foi diagnosticada com a síndrome de Ménière, que afeta a audição. Trata-se de uma doença crônica e progressiva, que tem controle, mas não tem uma cura.

O otorrinolaringologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Felippe Felix explica que o nome mais correto para a condição é Doença de Ménière. Ele afirma que o diagnóstico é clínico, feito de acordo com sintomas relatados pelo paciente e exames realizados para descartar outros problemas de saúde. O médico destaca que o ideal é que o diagnóstico seja realizado o quanto antes, pois se trata de doença crônica e progressiva.

— A pessoa vai tendo mais crises de tontura, e a audição vai se deteriorando cada vez mais. Por isso é importante ter um controle da doença, com mudança no estilo de vida e, em alguns casos, com medicação, para impedir que progrida e gere uma incapacidade crônica na pessoa, tanto de equilíbrio quanto de audição, que vai diminuindo cada vez mais no lado do ouvido acometido — afirma Felix.

Segundo Felix, como os sintomas são ocasionados pelo aumento da pressão de líquidos no labirinto, a ideia é diminuir a retenção de líquidos no corpo:

— Existem formas de controle para evitar que as crises aconteçam, como mudanças no estilo de vida. Geralmente recomendamos dieta com restrição de sal para evitar o acúmulo de líquido no corpo. O abuso de açúcar também pode contribuir para essa retenção. Mas pode ser necessário usar diuréticos ou outras medicações.

A Doença de Ménière é caracterizada pelo aumento da pressão dos líquidos no labirinto, região responsável tanto pela parte de equilíbrio quanto de audição, o que desencadeia os sintomas relatados pela estrela pop.

— Chamamos essa região de orelha interna. Dentro, está a parte que cuida do equilíbrio e a cóclea, que cuida da audição. Um mesmo líquido banha as duas partes, elas se comunicam, e a doença acomete ambas — explica Felix, que completa: — Não se trata de uma doença tão rara assim: estatísticas mostram que duas a cada mil pessoas podem apresentar os sintomas.

Jessie J, de 32 anos, fez a revelação em seu perfil no Instagram, contando que precisou ser hospitalizada na véspera do Natal. “Quando canto alto, parece que há alguém tentando sair do meu ouvido”, escreveu ela, que também contou que teve a sensação de estar “completamente surda do ouvido direito” e que “não conseguia andar em linha reta”.

Os sintomas são: crises de tontura, que podem durar de 20 minutos até horas e são incapacitantes; perda auditiva, que costuma ocorrer em apenas um lado e pode ser flutuante: piora na crise e depois melhora; zumbido; e sensação de que o ouvido está tapado ou cheio de água.

O otorrinolaringologista explica que não se sabe ainda exatamente o que leva uma pessoa a desenvolver a Doença de Ménière:

— Observamos que muitos pacientes com os sintomas têm histórico na família da doença. A faixa etária mais comum é entre os 30 e 50 anos de idade.