Síndromes respiratórias causam afastamento de profissionais de saúde em SP

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 04.01.2022 - Aumento de atendimento na AMA/UBS Água Rosa, em São Paulo, devido ao surto de Covid-19 e Influenza. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 04.01.2022 - Aumento de atendimento na AMA/UBS Água Rosa, em São Paulo, devido ao surto de Covid-19 e Influenza. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os casos de síndromes respiratórias, o que incluiu os de Covid-19 e de gripe, já resultaram no afastamento de ao menos 3.339 profissionais de saúde no estado de São Paulo. O montante, que faz parte de apuração consolidada com dados disponíveis nesta quinta-feira (6), pode ser ainda maior, uma vez que o número se refere a funcionários apenas da rede pública.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, 1.754 pessoas estão afastadas de suas funções por confirmação da Covid-19 e suspeita de outras síndromes respiratórias. O estado conta, atualmente, com mais de 172 mil profissionais que atuam em hospitais, clínicas e unidades especializadas.

Somente no Hospital das Clínicas, na zona oeste da capital paulista, estavam afastados 56 colaboradores com diagnóstico de Covid-19 e outros 15 com suspeita, aguardando resultado de exames.

"Seguindo o protocolo de assistência e de segurança das equipes, qualquer profissional com suspeita da doença é temporária, preventiva e prontamente afastado, para recuperação de sua saúde e prevenção dos demais", disse a secretaria em nota.

Na capital paulista, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou que, até a última quinta, 1.585 profissionais estavam afastados por Covid-19 ou síndrome gripal. A administração conta com 94.526 servidores efetivos ou contratados por OSS (Organizações Sociais de Saúde).

Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), o crescimento na quantidade de funcionários afastados foi notado em 1° de dezembro, sem impactos significativos na assistência.

A SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), uma das principais OSS que atuam na capital, informou que possui 800 colaboradores isolados após serem diagnosticados com gripe ou com coronavírus.

Se o estado e a prefeitura ainda não falam em novas contratações para suprir uma possível carência com as baixas, a instituição do terceiro setor explicou estar atenta à situação epidemiológica e promovendo contratações emergenciais, para garantir que a população não deixe de ser atendida nos serviços de saúde.

Outro município afetado é Campinas, no interior paulista, que na última semana registrou filas de pacientes à procura de atendimento médico com sintomas gripais. Até a última atualização, 129 funcionários que atuam na Secretaria Municipal da Saúde e na Rede Mário Gatti estavam afastados por sintomas respiratórios. No total, a cidade tem 6.075 colaboradores na área.

Com os afastamentos, os conselhos de classe se movimentam para entender melhor o que seus filiados que atuam na linha de frente estão passando. O Coren (Conselho Regional de Enfermagem) prepara um relatório que pretende detalhar as situações encontradas pelos enfermeiros no último mês.

"Com o aumento da demanda de atendimentos, a categoria fica sujeita a situações que podem afetar a qualidade da assistência, como maior tempo para atendimento, e sobrecarga aos profissionais de enfermagem e da saúde", disse para a Folha o presidente do Coren-SP, James Francisco dos Santos.

Sobre como tentar remediar a situação, Santos disse que é preciso que as instituições de saúde estejam atentas ao dimensionamento adequado de profissionais, respeitando todas as normativas que prezam pela segurança do paciente e também dos trabalhadores.

Na tentativa de conter uma redução ainda mais drástica no número de profissionais, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a pasta pode reduzir o isolamento para pessoas assintomáticas com Covid de 10 para 5 dias, o que é um pedido dos empresários do ramo, na tentativa de contornar possíveis transtornos com a ausência prolongada de médicos, enfermeiros ou técnicos. Ao falar sobre essa possibilidade, o ministro citou que o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) já deu essa recomendação.

A reportagem procurou as assessorias dos principais centros médicos privados de São Paulo, mas não recebeu o número de colaboradores com atestado médico. Em nota, o Sírio-Libanês informou estar chamando os médicos de retaguarda e que já fazem parte do corpo clínico da instituição para apoiar durante esse período de alta procura de pacientes.

"O hospital está remanejando internamente as equipes assistenciais e administrativas para apoiar esse aumento de procura. A equipe do pronto atendimento já abriu novas salas e aumentou seu número de colaboradores para acelerar o atendimento de síndromes gripais", diz trecho da nota.

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