Só consideramos estender auxílio se nova variante de Covid surgir, diz Guedes

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Ministro Paulo Guedes, na frente do ministério em Brasília

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira que o governo só considera estender o auxílio emergencial se nova variante de Covid-19 surgir, ressalvando que isso não é o que está acontecendo.

Em participação ao vivo na TV Bloomberg, Guedes também defendeu, em inglês, que o crescimento da economia brasileira não será problema, e que o problema é a inflação.

Ao ser questionado se o governo considerava prorrogar o auxílio ligado à pandemia, Guedes respondeu que "só se uma nova variante entrar em ação".

"Se houver um aumento na doença, vamos fazer a mesma coisa que fizemos antes: aumentamos os gastos, camadas de proteção aos cidadãos mais vulneráveis", disse.

"Mas não é isso que está acontecendo. Com a vacinação em massa e retorno seguro ao trabalho, o que está acontecendo no Brasil é - verdade, a inflação está subindo - mas as políticas fiscais e monetárias estão lá e haverá crescimento no ano que vem", disse.

Lideranças da Câmara dos Deputados e governo discutiam, desde o fim de setembro, a eventual prorrogação do auxílio emergencial, segundo afirmaram à Reuters fontes com conhecimento das tratativas, que ocorrem em meio a dificuldades de o Executivo Federal encontrar uma solução orçamentária para criar o programa social substituto do Bolsa Família, o Auxílio Brasil.

O atual auxílio emergencial, que paga entre 150 a 375 reais por mês a beneficiários do Bolsa Família e outros vulneráveis, tem a última parcela prevista para este mês.

Para estruturar o Auxílio Brasil para 2022, o governo precisa tanto achar espaço sob a regra do teto de gastos para acomodar a expansão do programa, o que busca fazer com a PEC dos Precatórios, quanto indicar uma fonte de financiamento para essa criação de despesa, o que viria com a aprovação da tributação dos dividendos na reforma do Imposto de Renda. Ambas as medidas precisam do aval do Congresso e enfrentam resistência de parlamentares.

No Ministério da Economia, a avaliação por ora é que a prorrogação do auxílio emergencial é uma decisão política, mas que demanda espaço no Orçamento e precisa estar dentro do teto de gastos, segundo fonte com conhecimento direto das conversas.

PIB

Após o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisar para baixo a perspectiva de crescimento da economia brasileira a 5,2% este ano e 1,5% em 2022, recuos de 0,1 e 0,4 ponto percentual, respectivamente, sobre a estimativa de julho, Guedes voltou a repetir a avaliação de que as instituições vão errar novamente seus prognósticos sobre o país.

"Previsões sobre o Brasil têm sido consistentemente erradas", disse ele, projetando uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,5% este ano.

Oficialmente, o Ministério da Economia estima crescimento de 5,3% para o PIB em 2021 e de 2,5% para 2022.

Guedes reconheceu que a inflação está subindo, mas atribuiu "metade" do movimento ao aumento dos preços de alimentos e energia em todo o mundo.

"Não tem nada de novo sobre isso no Brasil", disse.

Nos Estados Unidos para participar das reuniões do FMI e do Banco Mundial, Guedes voltou a defender a melhora do quadro fiscal brasileiro, citando por exemplo a perspectiva de o déficit primário brasileiro cair para perto de zero em 2022.

REAL

Ao ser perguntado sobre a desvalorização do real e as pressões sobre moeda em meio a preocupações fiscais, ele atribuiu a situação a ruídos políticos.

"Fundamentos estão no lugar, mas agora você vê barulho político, essa é a explicação", disse ele, admitindo que "certamente" tem preocupação com o barulho político afetando os mercados em 2022, ano de eleições presidenciais.

Além do fiscal "inteiramente sob controle", o ministro disse que o fundamento monetário está presente, com o Banco Central elevando a taxa básica de juros para combater a inflação.

"As pessoas que perderam as eleições três anos atrás não aceitaram o resultado, elas continuam batendo seus tambores. Entendemos isso, é uma democracia muito vibrante. Pela primeira vez a esquerda foi derrotada por liberais e conservadores", disse.

(Por Marcela Ayres)

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