'Só Deus para me dar forças, porque não sei se vou aguentar', afirma mãe de jovem morto na Barreira do Vasco

A Polícia Militar informou que abriu um procedimento interno para apurar as circunstâncias da morte do jovem Ruan do Nascimento, de 27 anos, baleado na noite desta sexta-feira na comunidade Barreira do Vasco, em São Cristóvão. Após deixar o Instituto Médico Legal, a família da vítima, que tinha deficiência intelectual, disse que não havia operação policial no momento em que Ruan foi atingido, mas acusou a Polícia Militar de ter feito os disparos.

— Eu tinha acabado de sair para trabalhar, umas 18h. Foi por volta desse horário. Não tinha operação nenhuma, não teve tiroteio. A única coisa que teve foram dois tiros de fuzil. Os policiais entraram na comunidade, num carro descaracterizado, vermelho. Quatro homens, de fuzil, deram um tiro, pegou numa pessoa, todo mundo correu, meu irmão correu junto e tomou um tiro nas costas — contou o irmão Renan Alves de Lima.

Para Renan, houve negligência da PM e do Hospital Souza Aguiar no socorro à vítima:

— Tudo durou menos de 30 segundos. Meu irmão ficou caído, o pegaram, colocaram dentro do porta-malas e sumiram com ele. Ninguém teve informação nenhuma. Não sabíamos onde ele estava. Depois que soubemos que ele estava no Souza Aguiar. No hospital, também não conseguimos detalhes de nada. Eu achava que quando uma pessoa é levada morta para o hospital, eles têm que identificar quem levou. A única informação que a gente conseguiu foi que policiais militares em um carro vermelho pararam lá, deixaram meu irmão e sumiram. Não falaram mais nada além disso. Então, ficou um sentimento de revolta e de impotência.

Vascaíno, Renan era uma pessoa alegre e querida por todos, como contou seu irmão Ruan:

— Ele conhecia todo mundo. Se você for lá agora e perguntar por ele, todo mundo vai saber, porque era um tipo de pessoa que brincava e falava com todo mundo. Se você for ver vídeos dele era só dançando. Ele gostando muito de dançar e zoar. Era uma pessoa tranquila. Ele gostava de ir ao estádio e entrava sem pagar, porque as pessoas gostavam dele e botavam ele lá dentro. Agora, falar que ele estava armado e deu tiro na polícia é mentira.

Mãe do jovem, Bianca Alves disse que ontem se preparava para o Dia das Mães. Hoje, muito abalada, pediu justiça:

— Dias das Mães, né? Só Deus para me dar forças, porque não sei se vou aguentar. Meu filho era inocente. Era como uma criança. Tinha retardo mental. Quero que Deus coloque uma pessoa no nosso caminho que faça justiça pela por nós. Ele entrava no estádio com os jogadores, coisa que eu nunca consegui fazer. Como é que podem fazer isso com um menino que era especial? Como se ele fosse um cachorro, sem mãe, sem pai — declarou ela, aos prantos.

A mãe conta que, antes de ser atingido, o filho estava na fila do salão para cortar o cabelo:

— É uma coisa inexplicável. Como é que pode a polícia entrar de qualquer jeito e sair atirando em tudo quanto é lugar, não presta atenção nas coisas que faz? Que serviço é esse? Isso não é profissionalismo. Não teve operação nem troca de tiros. É isso que não estou entendendo.

A Comissão de Direitos da OAB-RJ estava no IML para entender as circunstâncias do caso e prestar assistência à família. Procuradora do órgão, Mariana Rodrigues disse que a instituição irá acompanhar a família no que precisar, inclusive nos depoimentos da Delegacia de Homicídios da Capital, que investiga o caso:

— Normalmente, essa é a pior dor que a família sente. E essa dor não vem acompanhada de uma resposta do Estado, que não disponibiliza nenhum tipo de serviço para as famílias. Não tem assistente social, não tem psicólogo e nem atendimento jurídico aqui. A família fica numa situação completamente desesperadora. Vamos tentar oficiar o hospital para saber quem deu entrada deu entrada com a esse corpo, se chegou em óbito ou não, pedir acesso às câmeras do hospital e buscar testemunhas para ajudar a investigação da Polícia Civil.

A Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que policiais militares do 4ºBPM (São Cristóvão) relataram terem ido verificar local de comercialização ilegal de cobre na localidade do Café, próximo à comunidade Barreira do Vasco, em São Cristóvão, na noite desta sexta-feira, 6, onde ocorreu confronto durante a checagem.

A corporação disse que, após a situação se acalmar, houve apreensão de uma granada, um rádio comunicador e 240 papelotes de crack. Afirmou, ainda, que um homem ferido foi encontrado e socorrido ao Hospital Municipal Souza Aguiar.

Um procedimento apuratório interno, acrescenta a PM, foi instaurado.

A ocorrência será investigada pela Delegacia de Homicídios da Capital, que informou que os policiais militares foram ouvidos e tiveram as armas recolhidas para perícia. E acrescentou que giligências estão em andamento para esclarecer todos os fatos.

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