‘Só lembro do desespero de todos’, conta dono de borracharia que abrigou pacientes retirados de hospital em chamas

Marcos Nunes
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A loja de serviços automotivos para onde foram levados alguns pacientes do HFB
A loja de serviços automotivos para onde foram levados alguns pacientes do HFB

O português José Paiva, de 72 anos, dono da loja de serviços automotivos e borracharia Rio Paiva, teve papel fundamental no socorro aos pacientes retirados às pressas do Hospital Federal de Bonsucesso durante o incêndio que atingiu o prédio 1 da unidade de saúde na manhã desta terça-feira (27). E tudo aconteceu porque ele, sem pensar duas vezes, mandou uma funcionária do HFB, que aparentava desespero, entrar na loja. Acabou retirando vários carros para dar lugar a macas.

— Uma moça, aflita, pediu ajuda. Eu mandei que entrassem. Eram umas 40 macas aqui. Só lembro do desespero de todos. Tinha parentes chorando e correria de enfermeiros — contou Paiva.

Do primeiro atendimento ali na loja, os doentes eram levados em ambulâncias para outras unidades de saúde do estado e do município.

Paiva foi um dos elos da corrente de solidariedade que rapidamente se formou. A técnica de enfermagem Ana Cristina Ribeiro voltava de uma consulta com endocrinologista no Hospital do Fundão quando viu o incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso. A funcionária de saúde, que também é bombeiro civil, mora na comunidade Parque Monsenhor Brito, que fica ao lado do hospital, e correu para ajudar na remoção dos pacientes para a loja de pneus.

— Moro aqui pertinho e nasci no Hospital de Bonsucesso. Desci do ônibus para ir para casa quando vi a fumaça e o alvoroço. Estou de férias, mas não pensei duas vezes. Corri para a porta do hospital e comecei a ajudar. Como sou da área da saúde tive mais facilidade nisso. Tirei vários pacientes da cadeira hospitalar e levei para o Rio Paiva. Depois que colocamos as macas lá dentro. Quando a retirada dos pacientes acabou, corri em casa e trouxe garrafas de água para os bombeiros — contou Ana Cristina.