'Só percebi o tiro no ombro quando senti que minhas costas estavam molhadas de sangue', diz vítima de tentativa de assalto em SP

“Eu estava tranquila, na medida do possível. Mas começaram tiros atrás e na frente. Fiquei no meio do fogo cruzado e só pensava no meu filho”. O relato da médica Lorena, que prefere não ter o sobrenome identificado, é da tentativa de assalto que sofreu na cidade de Santo André, em São Paulo, nesta terça-feira (25). Nas cenas filmadas por homens que estavam dentro de um caminhão de mudança, logo atrás do carro da vítima, não é possível ver que um policial à paisana, presente no mesmo consultório de dentista que Lorena havia ido, disparou ao menos três vezes contra os bandidos. Revidando, os criminosos atiraram de volta, atingindo o ombro da médica de raspão. Ela não sabe dizer de onde partiu o segundo tiro, que atravessou seu ombro direito.

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— Eles chegaram batendo no vidro, mandando eu sair do carro. No momento, já entreguei meu celular e tentei ficar com a bolsa, porque tinham coisas pessoais e dados importantes dos meus pacientes. Mas eles pegaram e tentaram sair com o carro. Aí o policial, que eu não sabia que estava no dentista, começou a atirar. Não sei quantos tiros foram, mas dois atingiram meu ombro. Mas só percebi o tiro quando senti que minhas costas estavam molhadas de sangue — relata a vítima, afirmando que, devido à adrenalina, não sentiu dor na hora.

No vídeo é possível ouvir sons de tiros e em seguida um dos assaltantes também atira. Segundo a vítima, ela viu que ao menos três tiros partiram do policial, atingindo o carro dela. Um dos disparos feitos pelos bandidos, que tentavam entrar no carro, acertou o ombro de Lorena, que leva a mão até o local do ferimento e se esconde em uma casa. A médica não ficou com sequelas.

— O tiro entrou acima da clavícula direita, entrou e saiu. Fiz tomografia, aparentemente lesou apenas o músculo. O que ficou mais estragado foi o meu carro, mas isso é o de menos. Eu só queria sair viva da situação — afirma a médica, que foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros e levada ao hospital.

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Após a troca de tiros, os três criminosos tentaram sair com o carro, mas colidiram com outro automóvel estacionado na frente. Eles conseguiram levar apenas o celular de trabalho da vítima e correram até um veículo vermelho, que deu fuga para eles.

De acordo com Lorena, em conversa com o policial que estava à paisana no momento do crime, ele reconheceu que teve uma atitude equivocada, que poderia ter resultado na morte da médica caso os criminosos tivessem reagido mais fortemente aos ataques. O bandido que atirou contra a médica estava a uma distância mínima dela e, ao apertar o gatilho, a câmera captou o cabelo da vítima voando com a passagem do projétil.

— Encontrei o policial na delegacia e sei que ele estava só querendo ajudar, apesar de não ter tido a atitude ideal no momento — diz a médica.

Após o episódio, Lorena relata que teve dados pessoais clonados e sofreu quatro tentativas de golpe no WhatsApp, no qual bandidos usavam sua foto para pedir dinheiro a familiares. Ela conseguiu bloquear os telefones para impedir a ação dos bandidos.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que todas as circunstâncias relacionadas à ocorrência estão sendo apuradas. “A equipe do 4º Distrito Policial de Santo André realiza diligências e analisa as imagens para identificar e prender os criminosos. Detalhes serão preservados para garantir autonomia ao trabalho policial”.