'Só quero que ele pague pelo que fez', diz mulher torturada pelo ex-marido policial militar

Rafael Nascimento de Souza

RIO — “Espero que a Justiça seja feita. Só quero que ele pague pelo que ele fez. Que seja uma condenação justa: nem mais e nem menos”. Esse é o pedido da jovem de 23 anos, ex-mulher do sargento da Polícia Militar Daniel Deglmann, de 43, acusado de dopa-lá, tortura-lá e a mater em cárcere privado por quase três semanas, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. No começo da tarde desta quarta-feira a Justiça do Rio pode determinar o destino do militar.

Horas antes do julgamento, com início marcado para às 12h30 no Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, da Comarca de Caxias, a vítima lembrou dos momentos de terror que passou nas mãos de quem um dia jurou- lhe amor eterno.

— Foi desesperador. Foram dias de terror. Em determinado momento, eu pensei que fosse morrer porque eu apanhei muito dele. Eram socos, tapas, chupes, além das ameaças psicologias — lembrou a mulher.

O PM foi preso em setembro pela DEAM de Duque de Caxias por tentativa de feminicídio, tortura, ameaça e cárcere privado após uma vizinha socorrer a vítima e denunciar o militar.

O PM lotado no 16º BPM (Olaria) está preso desde 24 de setembro na Unidade Prisional da Polícia Militar, no Fonseca, em Niterói.

De acordo com a ex-mulher do sargento, desde a prisão do ex-companheiro sua vida parou. A jovem precisou deixar a cidade temendo pela segurança.

— Eu só quero retomar a minha vida. Hoje eu tenho que ficar presa, as pessoas têm medo de ficar perto de mim por conta dele, pois não sabemos se ele pode mandar alguém fazer algo comigo e meus familiares, e eu não posso procurar um emprego. Hoje, eu não posso fazer um planejamento para retomar a minha vida — lembrou a mulher que espera que seu agressor seja punido pela Justiça.

O Ministério Público do estado acusa Deglmann de crimes de tortura, sequestro e cárcere privado; além de violência doméstica contra a mulher.

Por duas vezes, a defesa do PM tentou um habeas corpus e ambos foram negados. A alegação é que o homem poderia atrapalhar as investigações.

De acordo com a Polícia Civil, em 2009, Daniel Deglmann já havia sido detido por agredir outra ex-mulher.

IPM aberto contra sargento

Não é só na Justiça comum que Deglmann terá que se explicar. Existe na Corregedoria Interna da Polícia Militar um Inquérito Policial Militar (IPM) que apura a conduta do homem. Segundo a PM, todos os documentos foram encaminhados aos corregedores. Fontes da instituição garantem que há chances de ele ser expulso da corporação.

Campanha nas redes sociais pregando a inocência do PM

Nos últimos dias parentes e amigos do PM têm feito nas redes sociais uma campanha pela libertação e defendendo a inocência do PM. De acordo com as postagens, o que está acontecendo com Daniel "é uma sujeirada". Segundo os parentes do militar, “mais uma vez o sistema está sendo falho com pessoas inocentes”.

Advogado desmente vítima

O advogado Marcos Espínola, responsável pela defesa de Deglmann, afirma que “os acontecimentos narrados na denúncia não são verdadeiros”.

Segundo ele, a defesa provará que “tudo não se passa de uma trama de vingança e ódio por parte da suposta vítima diante de uma possível traição do acusado”.

— Trata-se de um caso movido por forte emoção dela. Uma ação passional que não corresponde com os fatos. Em verdade, não houve tortura e tampouco cárcere. Foi tudo invenção — destacou Espínola.