'Só sai daqui morta', disse marido à mulher, no cárcere com filhos, ao saber que ela o deixaria

X., de 40 anos, mantida em cárcere privado junto com os filhos, há 17 anos, pelo companheiro Luiz Antônio Santos Silva, de 49, numa casa em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, contou à polícia que tentou se separar dele "diversas vezes", mas foi ameaçada. Durante o relacionamento que durou 23 anos, ela relatou que sempre foi agredida "fisicamente e psicologicamente", enquanto os filhos uma moça, de 22 anos, e um rapaz, de 19, viviam acorrentados ou amarrados desde crianças. Na última quinta-feira (28/07), a Polícia Militar prendeu Luiz Antônio e libertou a família, que estava vivendo em condições desumanas.

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Em depoimento aos investigadores da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande, X. relembra que ele lhe dizia: "Você tem que ficar comigo até o fim. Se você for embora, só sai daqui morta". Segundo ela, Luiz Antônio vivia de biscates e deixava a família sem comer por até três dias. Só o acusado tinha acesso aos "mantimentos", ou seja, a comida da casa. Ela prestou depoimento quando estava internada no Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, também na Zona Oeste.

Luiz Antônio é "extremamente agressivo e violento", de acordo com a versão da companheira dele. Mas ela nega ter sofrido violência sexual, assim como seus filhos. Disse ainda que ele não era usuário de drogas e nem ingeria bebida alcoólica. Também negou que ele tivesse arma em casa.

Mesmo assim, ela pediu as medidas protetivas da Lei Maria da Penha, principalmente que o companheiro seja impedido de se aproximar dela e dos filhos. Os filhos do casal são tão desnutridos que sequer aparentam a idade que têm. Ambos parecem ser crianças de tão franzinos.

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral instaurou um procedimento para apurar todos os fatos. "As investigações tiveram início em 2020 quando o caso foi registrado na 43ª DP (Guaratiba). Na sequência, foi encaminhado à 36ª DP (Santa Cruz) para apuração dos fatos. O inquérito foi enviado três vezes ao Ministério Público para providências. A última vez que retornou foi em maio deste ano. Neste momento, as investigações estão em andamento na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande. Medidas protetivas para as vítimas foram solicitadas junto à Justiça, que deferiu o pedido".

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