Saída iminente de Navarro do Botafogo reflete carreira do jovem e dificuldades do clube

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As experiências acumuladas mostram para Navarro que chances não devem ser desperdiçadas. Em 2018, ele vivia situação complicada nas categorias de base do Fluminense. A concorrência no ataque era dura, com Evanílson (atualmente no Porto), João Pedro (hoje no Watford) e Marcos Paulo (no Farmalicão, emprestado pelo Atlético de Madrid). Um belo dia, sentou -se com o tricolor, e concordaram que ele deveria deixar Xerém, atrás de mais espaço para jogar.

Três anos depois, a maré mudou, e o atacante se transformou no principal nome do Botafogo na campanha vitoriosa na Série B. Mas, apesar dos apelos da torcida e da diretoria alvinegra, Navarro não deixará o bonde passar. Está com as malas prontas para se transferir para o Minnesota United, dos Estados Unidos.

Natural de Cabo Frio-RJ, trocará o calor pelo verdadeiro inverno na cidade próxima à fronteira com o Canadá. Defenderá um time fundado em 2015 e que, desde 2017, joga a principal liga do país. O salário oferecido pelo Botafogo para renovar — cerca de R$ 150 mil mensais, bem acima do teto atual do futebol — e o plano de carreira — que incluía a disputa da Série A e a perspectiva de valorização para o mercado europeu — não balançaram o garoto.

Navarro, aos 21 anos e rumo ao quarto clube de sua carreira — entre o sub-17 do Fluminense e o sub-20 do Botafogo, passou ainda pelas divisões inferiores do Atlético-GO —, é vice-artilheiro da Série B, com 14 gols, dois a menos que Edu e Léo Gamalho. Soma ainda oito assistências, três a menos que o principal garçom do torneio, Élvis, do Goiás.

Escaldado, adia o anúncio da saída o quanto pode, afirma que sua preocupação é apenas dar ao Botafogo o título da Série B. Nas redes sociais, acaba revelando mais sobre si do que nas entrevistas. Manifesta o carinho pelo alvinegro e, no começo da pandemia, compartilhou postagem do youtuber Felipe Neto pedindo a prisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A decisão de deixar o Botafogo após a Série B fala sobre Navarro, sua história, e também sobre as dificuldades que o clube deverá enfrentar na montagem do elenco para a disputa da primeira divisão. Ainda com orçamento bem curto e convivendo com problemas de salários atrasados — tanto que os jogadores fizeram greve de entrevistas no fim de outubro —, o alvinegro precisará de mais que o título da segundona para convencer o mercado de que mudou.

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