Saúde antecipa vacinação de trabalhadores de portos e aeroportos após identificação de variante

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde vai antecipar a vacinação contra a Covid-19 de trabalhadores portuários e do transporte aéreo. A medida ocorre após os primeiros registros detectados no país da variante indiana do novo coronavírus.

Segundo a pasta, as doses para esse grupo começam a ser enviadas a partir desta terça-feira (25). A previsão é que 202 mil pessoas que trabalham nesses locais sejam vacinadas em todos os estados e no Distrito Federal.

O total de pessoas no grupo, porém, é um pouco maior —227 mil pessoas—, o que indica que as doses devem ser enviadas em mais de uma etapa.

Nos últimos meses, a vacinação desses trabalhadores já estava prevista no plano contra a Covid, mas depois de outros grupos, como membros das forças de segurança, trabalhadores de transporte metroviário e caminhoneiros.

Em nota, o ministério diz que a antecipação faz parte da estratégia para conter a circulação da doença "e proteger os brasileiros mais expostos ao vírus, principalmente após a identificação de uma nova variante".

A pasta se refere a casos da variante B.1.617 do coronavírus, hoje predominante na Índia e cujos primeiros registros no Brasil foram confirmados na última quinta-feira (20). Na ocasião, a Secretaria Estadual de Saúde do Maranhão disse ter detectado a variante em seis amostras coletadas em tripulantes do navio MV Shandong da ZHI, com bandeira de Hong Kong, ancorado em alto-mar na costa de São Luís.

Desde então, outros estados têm redobrado o monitoramento em busca de possíveis casos suspeitos. No Maranhão, 102 pessoas são monitoradas.

Segundo o ministério, a vacina destinada a esses trabalhadores é a da AstraZeneca/Oxford, produzida pela Fiocruz. Ao todo, serão distribuídos lotes para a primeira dose de 100% dos funcionários portuários e 78% dos aeroportuários. A pasta não informou como será feita a divisão das doses nem quando deve ocorrer a nova remessa.

No sábado (22), o Ministério da Saúde também anunciou o envio de 600 mil testes de antígeno ao Maranhão para aumentar a testagem contra Covid no estado, em uma tentativa de busca de possíveis infectados pela nova variante. A ideia é testar pessoas em rodoviárias federais, estaduais, aeroportos e outras vias de acesso.

Na prática, as pessoas farão primeiro o teste de antígeno, considerado mais rápido. Se positivo, o caso será confirmado por teste de RT-PCR, cujas amostras também devem ser enviadas para vigilância genômica —medida necessária para saber se o caso corresponde a variante indiana.

A identificação da nova variante também tem sido alvo de debates nesta semana na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) com membros do ministério e secretarias estaduais de saúde.

Em nota, a agência diz que avalia, em conjunto com a pasta e nesses encontros, a definição de um protocolo a ser adotado no país com medidas extras para conter a variante. A ideia é definir ações a partir da identificação de casos suspeitos em aeroportos e possíveis locais de quarentena de brasileiros que chegam da Índia, conforme as regras já em vigor.

Uma nova reunião está prevista para quarta (16) com Cievs, centros de vigilância localizados no país.