Saúde anuncia plano de R$ 1,5 bi para ampliar unidades de vigilância, mas não dá prazos

NATÁLIA CANCIAN
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Sem dar prazos, o Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (29) um projeto que prevê repassar, ao todo, R$ 1,5 bilhão a estados e municípios para ampliar unidades que atuam na prevenção, no monitoramento e no controle de doenças e emergências no país. Entre as ações do projeto, chamado de VigiarSUS, a pasta prevê aumentar de 55 para 129 o número de Cievs (centro de informações estratégicas de vigilância em saúde), que visam o monitoramento de emergências. Também prevê aumentar de 238 para 367 o número de unidades "sentinelas" que coletam, na rede de saúde, amostras de pacientes com quadros respiratórios --o que permite monitorar tanto a Covid-19 quanto os principais tipos de vírus da gripe em circulação, por exemplo. Apesar dos anúncios, a pasta não informou em quanto tempo a ampliação deve ocorrer. Questionado, o secretário de vigilância em saúde, Arnaldo Correia, evitou citar prazos. "Hoje é o marco zero. O orçamento está garantido, e a partir de agora vamos expandir esse número", disse. Nos últimos meses, parte das medidas, como a ampliação de unidades sentinelas, já havia sido anunciada pela pasta --mas as metas da época, que chegavam a estender esse número para 500 no país, não foram atingidas. O novo projeto, assim, revisa as metas dessas unidades e traz outras novas, como aumentar de 238 para 675 o número de núcleos de epidemiologia que respondem pela vigilância em hospitais. "É o maior investimento em vigilância em saúde da história do ministério", disse Correia sobre o total de R$ 1,5 bilhão. O valor do projeto, no entanto, inclui também ações já anunciadas, como a realização de um inquérito soroepidemiológico por meio da Pnad-Covid, que prevê verificar a prevalência de pessoas já atingidas pela Covid-19 no país. A pesquisa é feita em conjunto com o IBGE. O anúncio ocorreu antes de uma reunião da pasta com representantes de secretários estaduais e municipais de saúde. No encontro, membros do ministério evitaram comentar temas polêmicos, caso do decreto que chegou a prever a inclusão de unidades básicas de saúde no escopo de interesse de um plano de concessões e privatizações do governo, o PPI. Em meio a uma guerra em torno das vacinas contra a Covid-19, o presidente do Conass, conselho que reúne secretários estaduais de saúde, Carlos Lula, fez um apelo para que discussões sobre a vacinação sejam retomadas longe de um "ambiente de disputa". A declaração ocorre dias após a pasta, pressionada pelo presidente Jair Bolsonaro, recuar de um anúncio que previa a compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac, em desenvolvimento pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa Sinovac. "Essa é a premissa: precisamos imunizar a população brasileira com segurança e o mais rápido possível. Sabemos que ocorreu a situação da semana passada, mas esperamos relevar isso tudo e ter condições de novamente pautar a discussão sobre vacinas", disse Lula. "Precisamos retomar isso, com calma, afastado do ambiente de disputa. Sabemos que há decisões acima da gente, mas cabe a quem assessora os governantes ao menos apontar caminhos." O secretário-executivo adjunto do ministério, Jorge Luiz Kormann, disse concordar. "Aliados ao presidente do Conass, estamos preocupados", afirmou. Sem citar vacinas específicas, ele defendeu uma retomada das discussões sobre o planejamento da vacinação, pois "estamos encerrando o mês de outubro e nos resta pouco tempo para elaborarmos um planejamento factível." Kormann disse ainda que a pasta está tomando providências para levantar as causas do incêndio que atingiu o hospital de Bonsucesso, que é ligado ao Ministério da Saúde. Diagnosticado com Covid-19, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não participou do encontro.