Saúde: dor forte no período menstrual pode indicar endometriose, doença de Anitta

Há três anos, a analista de sistemas Elisa Aranha, de 38, descobriu que tinha endometriose, doença que também acomete a cantora Anitta. Elas estão entre as cerca de oito milhões de brasileiras diagnosticadas com a patologia, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. A estrela pop relatou semana passada que demorou nove anos para conseguir identificar a doença. A moradora de Botafogo também peregrinou para saber do que sofria, o que indica que o número de mulheres afetadas pela endometriose pode ser ainda maior.

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A ginecologista obstetra Maíra de La Rocque, que tem um consultório em Ipanema, alerta que estima-se que uma mulher leve em torno de seis a sete anos após os sintomas para conseguir ter o diagnóstico da endometriose. Ela acredita que o motivo está na cultura de normalizar as dores, como na caso de Elisa que desde bem nova sentia fortes cólicas ao menstruar, mas que durante muitos anos foram apenas medicadas com analgésicos.

— Não é normal sentir dor na menstruação. Incômodo leve pode ser tolerado, mas dor que impede as funções diárias, que exige remédios e etc, não — pondera.

A médica ressalta que também não é normal sentir dor ao ter relação sexual, sintoma de Anitta e que Elisa também passou a sentir. Os dois são alguns dos principais causados pela doença, ao lado de dor lombar durante o período menstrual, infertilidade, alteração do ritmo intestinal, dor e sangramento ao evacuar e ao urinar.

A endometriose é uma doença inflamatória, onde células do endométrio (de dentro do útero) se implantam e crescem fora do útero. Ainda não se sabe o motivo do surgimento. Ela pode acometer diversos locais diferentes como os ligamentos e nervos da pelve, os ovários, as trompas, a vagina, o intestino, a bexiga e até locais mais distantes, como o pulmão, por isso a importância do diagnóstico precoce.

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Apesar de alguns quadros poderem ser vistos pela ultrassonografia, o exame mais indicado, de acordo com a médica, é a ressonância magnética da pelve com um preparo específico. Mesmo com um caso grave, Elisa só foi diagnosticada a partir deste exame, aos 34 anos, quando decidiu engravidar e se tornou paciente de Maíra. Dessa forma descobriu uma endometriose profunda, bastante extensa, que comprometia bexiga, intestino, ovário e grande parte do abdômen.

A especialista explica que dependendo do estágio que a doença se encontra e os locais que ela acomete pode ser tratada clinicamente com medicamentos e mudanças de alguns hábitos, como alimentação balanceada e sem ultraprocessados e atividade física. Já em alguns casos, como o de Elisa, é necessária uma cirurgia.

A analista de sistemas foi submetida à cirurgia robótica, ano passado, que teve duração de mais de oito horas e na qual além de muitos focos da doença foi retirado 20 centímetros do intestino.

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— Muitos anos antes de descobrir a endometriose passei a sentir dor ao evacuar e urinar também, tinha cistite de repetição e usava antibióticos para infecção urinária e não resolvia. A endometriose estava a centímetros de comprometer o meu rim e mesmo assim não aparecia em outros exames. Graças a Deus meus ovários, trompas e útero ficaram intactos e preservados. Junto com a cirurgia, também precisei mudar a alimentação para uma dieta anti-inflamatória, sem glúten, lactose e açúcar, o que diminuiu muito minhas dores pelo período que estava esperando a cirurgia acontecer — detalha a moradora de Botafogo.

Sete meses após a cirurgia, Elisa realizou um sonho, que, em suas palavras, a endometriose não permitia: conseguiu engravidar. Hoje está com sete meses de gestação das gêmeas Alice e Elena concebidas naturalmente.

— Tentei engravidar por três anos. Só quem passa por essa espera pelo positivo sabe a felicidade que é vê-lo.

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