Saúde de Hugo Chávez é estacionária, segundo as autoridades

A saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez, apresenta uma "situação estacionária" em relação à insuficiência respiratória ocorrida por infecção pulmonar, após ser submetido à quarta operação contra um câncer em Cuba, há quase quatro semanas, informou nesta segunda-feira o ministro da Comunicação, Ernesto Villegas.

Chávez "se encontra em situação estacionária em relação à descrita no boletim precedente, quando se informou sobre a insuficiência respiratória que enfrenta como consequência de uma infecção pulmonar decorrente do pós-operatório", disse Villegas em comunicado transmitido em rede nacional de rádio e TV.

"O tratamento está sendo aplicado de forma permanente e rigorosa e com a assimilação do paciente", acrescentou Villegas, sem dar detalhes.

Villegas pediu à população que "ignore as mensagens de guerra psicológica que pretendem perturbar a família venezuelana".

Chávez, 58 anos e no poder desde 1999, foi operado em 11 de dezembro passado em Havana - pela quarta vez - contra o câncer detectado em junho de 2011 e cuja localização jamais foi revelada.

O governo em Caracas divulga informações esporádicas sobre o atual estado de saúde de Chávez, reeleito em 7 de outubro passado e que deveria tomar posse no próximo dia 10, diante da Assembleia Nacional, como determina a Constituição.

Nesta segunda-feira, o presidente da Assembleia Nacional e número dois do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, se negou a precisar se Chávez estará em Caracas para a posse: "Não descartamos absolutamente nada".

Durante coletiva de imprensa na sede do PSUV, Cabello convocou "uma grande reunião em Caracas no dia 10 de janeiro, em frente ao Palácio de Miraflores, para apoiar nosso presidente de forma contundente".

O governo bolivariano afirma que, se Chávez não comparecer à Assembleia Nacional no próximo dia 10, poderá tomar posse em outra data, diante do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

Cabello acrescentou, sem dar nomes, que na passeata de quinta-feira participarão vários chefes de Estado.

"Eles manifestam por muitas vias querer vir aqui na Venezuela, inclusive alguns foram visitar o presidente diretamente", acrescentou, se referindo às visitas que vários presidentes fizeram a Chávez na capital cubana, entre eles os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia, Evo Morales.

A presidente argentina Cristina Kirchner viajará a Havana na próxima quinta-feira.

Paralelo a isso, o governo brasileiro descartou que exista uma situação de instabilidade na Venezuela envolvendo a ausência do presidente Chávez na cerimônia de posse, e considera que a Constituição venezuelana prevê mecanismos para uma sucessão posterior, destacou o assessor especial da presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Marco Aurélio, que qualificou o estado de saúde de Chávez de "grave", viajou a Havana no dia 31 de dezembro para se reunir com o vice venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente cubano, Raúl Castro, e seu irmão Fidel Castro.

"A informação que obtive (em Havana) é que na eventualidade de o presidente Chávez não poder comparecer a Caracas (no dia 10), haverá uma cobertura constitucional" que prevê os procedimentos, destacou Garcia em entrevista coletiva em Brasília.

Segundo o assessor especial da presidência brasileira, há um prazo de 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias, antes de se declarar a ausência absoluta do presidente e a convocação de novas eleições, em 30 dias.

É um processo "coberto perfeitamente pelos dispositivos constitucionais", afirmou Marco Aurélio Garcia, garantindo que o Brasil não está preocupado com uma instabilidade no país vizinho.

"Teríamos alguma preocupação no governo brasileiro, no Mercosul e na Unasul se houvesse um processo de instabilidade concreto na Venezuela, mas isto não está ocorrendo".

O assessor explicou que a presidente Dilma Rousseff considerou "útil sua viagem a Cuba para ter mais detalhes sobre a saúde do presidente Chávez", que qualificou de "grave".

Chávez está hospitalizado em Havana desde a quarta operação contra um câncer e, certamente, não poderá tomar posse em Caracas no dia 10 de janeiro para mais um mandato de seis anos, após ser reeleito no dia 7 de outubro passado.

A Carta Magna estabelece que o presidente deve tomar posse no dia 10 de janeiro na Assembleia Nacional e que diante de uma situação excepcional, pode fazer isso ante ao TSJ, sem fixar data.

A oposição considera que no dia 10 de janeiro termina o segundo mandato de Chávez e que, se ele não reassumir, é Cabello que deve fazê-lo e não o vice-presidente, Nicolas Maduro, como decidiu o próprio presidente no dia 10 de dezembro, antes de partir para se submeter a sua quarta operação por causa do câncer.

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