Saúde mental: fim de contratos afeta serviço em unidade infantil de Niterói

Giovanni Mourão
Mães de jovens atendidos no Capsi mostram suas fichas: segundo elas, profissionais e responsáveis foram pegos de surpresa com as demissões

NITERÓI — Mães de pacientes do Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Capsi) Monteiro Lobato, em Santa Rosa, denunciam a falta de pessoal na unidade. O problema teria começado na última semana de dezembro, segundo elas, com o encerramento do contrato de seis dos 19 funcionários temporários, sem aviso prévio aos responsáveis pelas crianças. Desde então, de acordo com a denúncia, o espaço, único da cidade exclusivamente dedicado a atendimentos infantojuvenis, vem atuando com um número de profissionais insuficiente para suprir a demanda.

Mãe de Gilberto, portador de transtorno global de desenvolvimento e paciente do Capsi há 12 anos, Dulce Costa afirma que três enfermeiros, um psicólogo, uma pedagoga e a única assistente social da unidade foram demitidos. Na última terça-feira, ela esteve no local com o filho para uma consulta de rotina, mas foi em vão:

— Não tem médico para atendê-lo. O único plantonista desse horário pediu demissão na mesma semana em que os demais foram mandados embora. Sem médico, como vou pegar as receitas dos remédios que meu filho precisa tomar? — questiona. — O Capsi atende cerca de 60 pessoas por dia. A equipe sempre foi insuficiente, mas nessas últimas semanas a situação piorou.

Para Lucineide Campos, também mãe de paciente da unidade, o sentimento é de indignação “pela falta de respeito com pacientes e profissionais que, após anos fazendo um ótimo trabalho, mesmo com recursos mínimos, agora foram descartados”.

— Foi muito triste terminarmos o ano assim. Esses profissionais fizeram muito pelos nossos filhos e não queriam sair; foram pegos de surpresa. Minha filha de 17 anos tem esquizofrenia, é atendida aqui desde os 5 e não aceita atendimento de quem não conhece. Quando soube que seu psicólogo foi embora, chorou e disse que não viria mais — lamenta.

FMS: novos temporários

Jaguacyara dos Santos é mãe de Ana, de 11 anos, diagnosticada com autismo. Ela reclama que a direção do Capsi não disse o porquê dos desligamentos dos profissionais nem deu previsão para que outros ocupem essas vagas:

— Nós nos reunimos com a direção (da unidade) na última quarta-feira e nos informaram que cada um foi desligado por um motivo diferente, dando a entender que o problema estava no desempenho deles. Mas isso não procede, pois eram ótimos profissionais. Enquanto não houver concurso, essa situação continuará assim.

Engrossando o coro de críticas, a assistente social Maria Alice Bastos, representante da Associação de Usuários, Familiares e Amigos da Saúde Mental (Aufa) de Niterói, acredita que “os profissionais demitidos serão substituídos por pessoas indicadas por aliados da prefeitura”. O município não comentou essa afirmação.

A Fundação Municipal de Saúde não explica o motivo das demissões, mas garante que já admitiu profissionais para substituir os que não tiveram seus contratos renovados. A data para que eles comecem a atuar no Capsi Monteiro Lobato, porém, não foi informada. A FMS enfatiza que o antedimento na unidade não foi interrompido.

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