Saúde pública e defesa da pílula do aborto: veja o que Lula e Bolsonaro já falaram sobre interrupção da gravidez

A dois dias das eleições, as discussões sobre o aborto voltaram à pauta entre os candidatos à Presidência Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os adversários debateram sobre o tema durante o debate promovido pela TV Globo nesta sexta-feira, o último antes da eleição. No segundo bloco, o petista confrontou o presidente sobre pronunciamento que fez na Câmara dos Deputados em 1992, defendendo o uso de uma pílula abortiva para controle de natalidade.

— Candidato se lembra desse discurso? "Não adianta uma multidão de brasileiros subnutridos sem condição de servir ao seu país". Concluiu o então deputado que oferece que seja distribuída pílula de aborto para a sociedade brasileira, em 1992, quando era deputado. Falou isso ou não? — confronta Lula.

À época, no plenário da Câmara dos Deputados, o então deputado federal Jair Bolsonaro defendeu o método abortivo como forma de controle de natalidade. A sugestão foi feita enquanto discursava sobre um medicamento que a China passaria a distribuir para os cidadãos para controlar a explosão populacional:

"É preciso, portanto, que todos tenhamos os pés no chão e passemos a tratar desse tema (controle da natalidade) sem demagogia sem interesse partidário ou eleitoreiro, porque de nada adiantam nossas convicções religiosas, políticas ou filosóficas, quando se está em jogo, sem dúvida, uma questão bem mais grave e que, de fato, interessa à segurança nacional. Temos de viabilizar este país e apontar o caminho certo do desenvolvimento social e econômico", disse Bolsonaro em seu discurso à época.

O então parlamentar afirmou, em 1992, que as famílias brasileiras deveriam ser conscientizadas sobre as formas de "controlar as proles", métodos que deveriam constar em currículos escolares.

Apesar de ter afirmado ser contra o aborto, o ex-presidente Lula já disse publicamente que o aborto deveria ser tratado como questão de saúde pública. Em abril deste ano, o petista defendeu o direito das mulheres ao aborto por se tratar de uma questão de saúde pública. Na ocasião, ele criticou que "madame pode fazer um aborto em Paris" ou "ir para Berlim procurar uma clínica boa", enquanto mulheres pobres morrem ao tentar fazer o aborto.

— Aqui no Brasil ela não faz porque é proibido, quando na verdade deveria ser transformado numa questão de saúde pública e todo mundo ter direito e não ter vergonha — afirmou, em debate realizado em São Paulo, com a participação de integrantes do Parlamento Europeu.