Saúde requisita mais de 665 mil remédios do kit intubação para os próximos 15 dias

Renata Mariz
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BRASÍLIA — O Ministério da Saúde requisitou administrativamente, nesta semana, mais de 665,5 mil remédios usados em intubação de pacientes, devido aos baixos estoques e até falta dos produtos registrados no país por conta da alta de internações pela Covid-19. O quantitativo é suficiente para 15 dias, informa a pasta.

Essa requisição, que é uma forma de intervenção na iniciativa privada, não atingirá os estoques de insumos previamente contratados por estados e municípios, segundo a pasta. O processo ocorre no momento em que se observa que o estoque dos remédios é menor que a produção esperada.

"No caso do Sistema Único de Saúde (SUS) e do atendimento a situações de iminente perigo público em saúde, essas requisições administrativas ocorrem quando é necessário realizar uma divisão nacional equilibrada dos medicamentos tanto para saúde pública quanto para a saúde suplementar, garantindo aos usuários do SUS acesso aos medicamentos", aponta o ministério, em nota.

Ontem, governadores do Nordeste enviaram uma carta endereçada ao ministro Eduardo Pazuello, que deve deixar a cadeira da Saúde em breve para que Marcelo Queiroga assuma, relatando que pelo menos 18 estados têm falta ou estoque para no máximo 20 dias de bloqueadores neuromusculares. Esses remédios fazem parte do chamado "kit intubação", que inclui sedativos.

Uma tabela com os 11 medicamentos pleiteados consta do comunicado dos governadores. Na última semana, de 7 a 13 de março, todos eles apresentaram falta ou baixa cobertura em mais de dez estados, apontou os gestores.

O grupo pede que o governo federal adote medidas como compras emergenciais nacionais e internacionais, redução do preço dos remédios pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, e diretriz nacional para adiar por 60 dias cirurgias eletivas (não emergenciais) nos setores público e privado.

O Ministério da Saúde anunciou ter feito contato com a Anvisa para realização de consulta internacional para verificar a possibilidade da compra dos produtos no exterior. A falta dos medicamentos ocorreu no pico da primeira onda da pandemia, no ano passado, e volta a acontecer agora.