Sabrina Petraglia fala do primeiro Dia das Mães após filho vencer batalha pela vida: ‘Não sei de onde tirei forças'

Carol Marques
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Sabrina Petráglia e o filho Gael: luta pela sobrevivência

Há um ano exatamente, Sabrina Petraglia acordou bem cedo, após uma noite de sobressaltos e insônia, tomou um banho, prendeu os cabelos numa touca, pôs um avental, um protetor de calçados e uma máscara. Todos descartáveis. Não tomou café e entrou no elevador com muito medo. Estas cenas poderiam descrever o que muitos estão vivendo desde que o mundo foi atacado pelo coronavírus. Há 12 meses, no entanto, a atriz fazia uma espécie de estágio num isolamento doloroso para lutar pela vida de Gael, seu primeiro filho, nascido prematuramente uma semana antes, aos oito meses, com má formação do intestino. “Me lembro de cada detalhe. Da roupa que eu estava, de como cheguei à UTI neonatal, do sentimento de desamparo e ao mesmo tempo de esperança, daquela fila de mães que não sabiam se os filhos iriam viver...”, descreve ela, emocionada, deixando-se levar pela dura lembrança.

Um ano depois, Sabrina vai comemorar de fato o primeiro Dia das Mães neste domingo. Não exatamente do jeito que imaginava, com a presença dos pais (que estão com covid-19), dos sogros ou dos amigos. A data, emblemática por si só e uma marca para a sobrevivência do filho, será no Rio, onde está morando desde que começou a gravar “Salve-se quem puder”, e em casa como manda a nova ordem mundial. “Vou fazer um almoço caprichado. Será um dia em que eu não vou me preocupar com a louça, com a bagunça, com nada externo. Ficaremos eu, meu marido e o Gael juntinhos, curtindo muito esse momento, sem hora para acabar”, adianta.

Tirando a parte do almoço especial e da vista grossa com a bagunça (“confesso que sou neurótica com limpeza e arrumação”), todos os dias têm sido grudados em Gael desde que a Globo decidiu suspender a gravação das novelas. “De certa forma, estou tendo todo o tempo do mundo para acompanhar o desenvolvimento dele, de presenciar cada fase. Ele começou a dar os primeiros passos e eu vi isso!”, observa Sabrina: “Eu realmente estava louca para voltar a trabalhar, era necessário depois de uma fase tão árdua, em que precisei fazer uma imersão no universo materno de uma forma que jamais imaginei. Estava muito animada. Ao mesmo tempo, ficar com meu filho tem sido um privilégio enorme”.

Aos 37 anos, Sabrina praticamente está voltando à infância com Gael. Na impossibilidade de sair com ele, para os longos passeios ao redor do condomínio de onde o pequeno avista os passarinhos que adora, a atriz se tornou praticamente uma monitora do maternal. “Faço muitas brincadeiras com ele, invento formas mais lúdicas de entretê-lo, porque percebo o quanto tem sido entediante essa quarentena para o Gael”, diz.

Entediante para o filho. Porque para a mãe... “Não dá tempo para muita coisa, não. Tem noites em que durmo às 4h para deixar a comida pronta. Ele agora está andando, então fica pra lá e pra cá, eu cozinho com ele enroscado nas minhas pernas. Outro dia, fui lavar couve e pus ele para limpar as folhas. Se tornou uma brincadeira e, claro, demorei muito mais para aprontar o almoço. Mas não troco estes momentos por nada”, justifica.

É nessa hora que o marido de Sabrina entra em ação feito super-herói para salvar a mocinha. O engenheiro Ramón Velasquez é o suporte diário de Sabrina e seu maior incentivador. “Sinto que a nossa relação ganhou um outro significado depois de tudo o que passamos no nascimento do Gael. Ele é parceiro, paizão, um marido que me coloca para frente. Ele me dá força para tirar um tempo pra mim, me manda tomar banhos demorados, me deu uma coleção de pijamas, um mais lindo que o outro. E isso me ajuda a lembrar que antes da mãe do Gael existe uma mulher. Porque tem horas que a gente perde mesmo a identidade”, analisa.

'As fraldas do Gael eram sangue puro'

Uma das lições aprendidas por Sabrina neste primeiro ano de Gael (ele completou no último 2 de maio com direito a festinha de palhaço), foi a de que ela não tem o controle de nada. “Eu planejei tudo para o nascimento do meu filho. Para todo o tipo de parto, para dar o primeiro banho, sair com ele da maternidade em dois dias. E tudo foi imprevisto. As fraldas do Gael, durante o primeiro mês, eram sangue puro. Ele passou 19 dias na UTI. Eu só o havia segurado nos meus braços na hora em que nasceu e ele logo teve que ser entubado, usar ventilador para poder respirar”, recorda ela, chorando de novo: “Naquele Dia das Mães, uma enfermeira, um anjo, deixou que eu segurasse meu filho, tão frágil, cheio de sonda. Abri minha blusa, ele se aninhou e amamentei pela primeira vez. Ali, tive certeza que ele ficaria vivo e de que a gente não controla nada. Tirei forças nem sei de onde. Olhar para ele hoje, saudável e feliz, é a certeza que o futuro existe”.

Sabrina Petraglia escreve carta para Gael

"Ao meu Gael...

2020 foi uma pausa. Um suspiro em meio ao turbilhão frenético em que estávamos vivendo. Fomos obrigados a parar tudo, a refletir, a olhar pra dentro das nossas casas e, ao mesmo tempo, olhar para o mundo. Uma pausa para que as pessoas da própria família pudessem voltar a se olhar nos olhos e a conviver na simplicidade do dia a dia. Uma redescoberta familiar aconteceu em todos os lares. As crianças nunca estiveram tão perto de seus pais que, por sua vez, tiverem que improvisar dia após dia. Te escrevo em meio à pandemia, sem saber exatamente o que está acontecendo e o que vai acontecer.

Mas... depois desses tempos incertos, certamente um novo mundo irá se apresentar e eu espero que seja um mundo melhor, por mim, por vc, por todos. São dias duros, mas de lindos ensinamentos. Tendo o privilégio de estar em casa, te vi aprender a andar, a falar as primeiras palavras ao lado do seu pai e isso fez tudo ficar mais leve e suportável.

Espero que as minhas aspirações de um mundo melhor se concretizem quando você estiver lendo essa mensagem e que a gente esteja juntos, sempre.

Te amo"