Saem as redes sociais, entra o rádio: A estratégia de reeleição de Bolsonaro

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Jair Bolsonaro, presidential candidate for the Social Liberal Party, attends an interview for Correio Brazilianse newspaper in Brasilia on June 6, 2018. - Brazil holds general elections in October. (Photo by EVARISTO SA / AFP)        (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro trocou o ímpeto nas redes sociais pelas entrevistas em pequenas rádios pelo país (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)

Você já ouviu falar de alguma dessas emissoras de rádio?

  • Rádio Brado, da Bahia

  • Rádio Arapuan, da Paraíba

  • Rádio 93 FM, do Rio de Janeiro

  • Rádio 96 FM, do Rio Grande do Norte

Essas foram algumas das emissoras que, nos últimos meses, entrevistaram o presidente Jair Bolsonaro. Quem trabalha com jornalismo sabe como é difícil conseguir marcar uma conversa com o presidente da República, seja ele quem for. Como, então, pequenas rádios do Brasil têm conseguido entrevistas com a maior autoridade do país?

O caminho, na realidade, é inverso. Bolsonaro quem tem optado por falar com veículos de comunicação diferentes, não de massa, mas que chegam a lugares de difícil acesso.

Na bolha da classe média das grandes cidades, o rádio pode parecer apenas um elemento para ouvir música dentro do carro, mas não é bem assim. Nas cidades menores, o rádio é o principal – se não o único – veículo de comunicação local.

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A TV é um meio de comunicação bastante excludente quando falamos de notícia. Uma rede de televisão pode ter afiliadas no interior, mas isso não quer dizer que ela seja capaz de abarcar informações de todas as cidades da região. Para dar um exemplo no estado de São Paulo, tem as chamadas “capitais regionais”, como é o caso de Campinas, uma cidade grande, mas que fica no interior. Lá, a cobertura de afiliadas de TV existe, mas será que isso contempla a cidade de Limeira, que fica próxima?

Nem sempre. E aí entra o papel do rádio como principal meio de comunicação. São as emissoras do rádio que cobrem as informações sobre a prefeitura, o buraco na rua principal. E é justamente aí que Jair Bolsonaro quer chegar. Isso sem contar que o rádio é de graça, ponto essencial para o alcance.

O Brasil é um país enorme, há muitas cidades onde mal chega internet, nem mesmo a televisão chega. Isso acontece bastante no Norte do Brasil, por exemplo.

Substituição das redes sociais

E por que isso tudo é tão importante é importante para o presidente Jair Bolsonaro? No livro “O Brasil dobrou à direita”, o cientista Jairo Nicolau analisa dados da eleição de Bolsonaro.

Ele descreve que, em 2018, “os limites para a propaganda bolsonarista eram os eleitores ainda não conectados à internet, sobretudo, os residentes nas pequenas cidades, os de baixa renda e os cidadãos mais velhos”.

A vitória de Bolsonaro em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, foi fácil. Nesses locais, o núcleo bolsonarista – que esteve nas ruas em 7 de setembro, segue representado, ainda que de maneira mais fraca que em 2018. Quem Bolsonaro podia conquistar pelas redes sociais, já foi conquistado. O desafio para 2022 está em outros lugares: onde ele perdeu.

“A votação dos candidatos do PT à presidência vem encolhendo de maneira constante em todas as faixas, mas o partido manteve o domínio nas pequenas cidades (com até 50 mil habitantes)”, explica Jairo Nicolau no livro.

O autor sinaliza ainda que o Brasil tem 4.957 cidades com até 50 mil habitantes, entre os 5.565 municípios. Por isso, Bolsonaro foca em chegar onde a TV pouco chega.

Relação entre Secom e rádios

Brazilian President Jair Bolsonaro (R) and his Communication Minister Fabio Faria attend the launching event of the Week of Communication at the Planalto Palace in Brasilia, on May 5, 2021. - Bolsonaro called those who are against early treatment with Chloroquine against COVID-19 a 'scoundrel'. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Fabio Faria, ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, é peça importante no quebra-cabeça do uso do rádio (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)

Fabio Faria tem feito muita coisa que o setor do rádio vê com ótimos olhos. Você sabia, por exemplo, que desde junho deste ano, todo celular é obrigado a ter recepção de rádio FM habilitada? Isso faz com que o rádio seja capaz de chegar em mais gente.

Além disso, a migração do AM para o FM foi acelerada durante o governo Bolsonaro – mesmo que algumas cidades não tenham nem estrutura para isso. Essa foi uma promessa feita no governo Dilma, mas nunca cumprida, até a chegada de Fabio Faria ao poder.

Isso estreita os laços de donos de rádios em todo o país com o presidente Jair Bolsonaro, isso sem falar do prestígio. Uma emissora capaz de conseguir uma entrevista com o presidente da República, é uma emissora que ganha respeito.

Bolsonaro se aproveita disso para chegar onde quer: onde o PT ainda está.

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